Agent 64: Spies Never Die – A reimaginação nostálgica de um FPS
Agent 64: Spies Never Die é a mais recente proposta nostálgica, desenvolvida e editada pela Replicant D6, trazendo de volta as mecânicas de um jogo clássico, em algo novo e desafiante.

O impacto de GoldenEye 007
Corria o ano de 1995 e James Bond nunca tinha sido tão popular. Com a estreia de GoldenEye, o primeiro filme protagonizado por Pierce Brosnan e o primeiro em seis anos, após a saída de Timothy Dalton, a série entrou numa nova era. Numa altura em que o cinema de ação de Hollywood dominava o grande ecrã, este filme deu um novo impulso à saga. Em paralelo, os videojogos também procuravam afirmar-se numa nova geração, com a chegada iminente da PlayStation e da Sega Saturn, enquanto a Nintendo 64 só seria lançada em 1996.
Foi neste período de intensa competição que a Rare decidiu desenvolver GoldenEye 007 para a Nintendo 64. Inspirado pelo fenómeno dos first-person shooters, sobretudo DOOM (1993) e Virtua Cop (1994), o jogo só chegou ao mercado dois anos após a estreia do filme e poucos meses antes da sequela, 007 – O Amanhã Nunca Morre. Apesar de ter sido lançado com expectativas modestas, acabaria por revolucionar o panorama dos videojogos graças às suas missões variadas e exigentes, bem como a um modo multijogador inovador, com vários cenários em ecrã dividido.

Uma inspiração com desafios diferentes
Em Agent 64: Spies Never Die, encontramos uma carta de amor aos jogos que nasceram desse momento. Com uma campanha de 14 missões e um modo multijogador semelhante ao que se encontrava na época, o título procura oferecer algo mais do que simples nostalgia.
Na campanha, somos conduzidos por um thriller de espionagem ao bom estilo dos anos 90. Acompanhamos John Walter, um agente secreto reformado que é forçado a regressar ao ativo para travar um plano maquiavélico de dominação mundial, liderado pelo seu inimigo, Dominic Pulp. A juntar-se a John está a sua filha, Dana – também ela envolvida no mundo da espionagem – , cuja presença dá uma dimensão mais pessoal à missão e ajuda a sustentar a dinâmica narrativa.
Ao longo de quatro atos, somos postos à prova através de diversos objetivos, enfrentando uma multitude de inimigos armados e desafios adicionais, como salvar reféns ou sabotar comunicações. Com três níveis de dificuldade, o intermédio – aqui designado Special Agent – oferece o equilíbrio mais adequado entre desafio e variedade de objetivos, parecendo ser o modo para o qual a experiência foi melhor afinada.
O jogo é, no entanto, bastante direto nas suas intenções. Não há grandes surpresas pelo caminho: aposta antes no revivalismo de uma era em que os FPS se tornavam rapidamente no género mais procurado. Muitas das mecânicas foram aqui ligeiramente polidas e aperfeiçoadas, mantendo, ainda assim, um sistema maioritariamente fiel às suas inspirações.

Uma carta de amor à nostalgia
Quem procura um jogo capaz de o transportar até 1997 encontrará em Agent 64: Spies Never Die um título interessante e apelativo, repleto de ação e bons desafios, com a vantagem adicional do multijogador online. Não reinventa a fórmula, mas compreende-a muito bem e aplica-a com uma autenticidade que deverá agradar particularmente aos fãs do clássico da Nintendo 64.
Nota Final: 8/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
