X-Files regressa com a versão que Chris Carter sempre quis mostrar
A verdade está novamente por aí. Quase 20 anos depois de Ficheiros Secretos: Quero Acreditar Chris Carter regressa ao filme baseado na célebre série de televisão para apresentar uma nova edição que procura recuperar a visão mais sombria e assustadora que o realizador tinha originalmente imaginado.
Intitulada The X-Files: I Want to Believe – Vrach Frankenshteyn, a nova versão chega à Disney+ a 14 de agosto de 2026, apresentando-se como uma director’s cut com uma duração superior e uma abordagem mais próxima do terror. A Disney+ confirma a estreia do novo corte, enquanto mantém também disponível a versão de 2008.
O novo título — Vrach Frankenshteyn, uma transliteração russa de “Doutor Frankenstein” — não é meramente decorativo. A nova montagem reforça precisamente a dimensão de horror corporal e a inspiração no universo de Frankenstein que estavam no centro da história, mas que foram atenuadas na versão cinematográfica para garantir uma classificação que permitia o acesso dos adolescentes aos cinemas norte-americanos.
A história mantém David Duchovny e Gillian Anderson nos papéis de Fox Mulder e Dana Scully, os agentes que transformaram Os Ficheiros Secretos / X-Files numa das séries de ficção científica mais populares da televisão.
Anos depois de abandonarem o FBI, Mulder e Scully são novamente chamados a colaborar quando uma agente federal desaparece sem deixar rasto. A investigação conduz a uma personagem tão estranha quanto perturbadora: um antigo padre, descredibilizado e afastado da Igreja, que afirma ter visões psíquicas relacionadas com o crime.
A investigação leva os dois antigos parceiros para uma paisagem gelada e para uma história que progressivamente abandona o terreno policial para mergulhar no horror. Um conjunto de mulheres desaparecidas, experiências macabras e uma possível ligação ao mito de Frankenstein colocam Mulder e Scully perante um caso que parece saído diretamente de um episódio de X-Files.
A nova versão procura, assim, recuperar uma dimensão mais próxima dos episódios independentes da série — as chamadas histórias “Monster of the Week” — em vez de retomar a mitologia dos extraterrestres e da conspiração que dominava a narrativa principal da franquia.
Segundo a informação disponibilizada para o novo lançamento, a versão de Chris Carter acrescenta cerca de 14 minutos ao filme e recupera elementos de terror que tinham sido retirados ou suavizados para permitir a classificação etária original.
O resultado é um filme mais longo e mais gráfico, com maior destaque para o horror e para os elementos relacionados com o corpo humano. A classificação para adultos da nova versão permite igualmente que determinadas imagens e momentos sejam apresentados sem as limitações impostas à montagem de 2008.
A própria Disney+ descreve o lançamento como uma versão inédita que procura restaurar fielmente a visão original do realizador.
Quando chegou aos cinemas em 2008, Ficheiros Secretos: Quero Acreditar representou o reencontro de Duchovny e Anderson com as personagens que tinham interpretado durante nove temporadas da série original.
Realizado por Chris Carter, o filme acompanhava Mulder e Scully numa investigação independente da grande conspiração extraterrestre da série. A aposta numa história autónoma aproximava-o deliberadamente da estrutura de determinados episódios de X-Files, mas a receção da crítica acabou por ser bastante mais fria do que a conquistada pela série de televisão durante o seu período de maior popularidade.
O filme arrecadou cerca de 69 milhões de dólares em todo o mundo, um resultado muito inferior aos cerca de 189 milhões alcançados pelo primeiro filme, Ficheiros Secretos, estreado em 1998.
A nova montagem surge, por isso, como uma segunda oportunidade para uma obra que, desde a estreia, ficou marcada pela sensação de que poderia ter sido diferente.

O regresso de Chris Carter acontece também num momento particularmente interessante para a franquia. Ryan Coogler, realizador de Black Panther e Pecadores, está atualmente a desenvolver uma nova versão de X-Files.
A nova série terá Danielle Deadwyler e Himesh Patel como protagonistas, interpretando dois agentes do FBI com personalidades muito diferentes que acabam destacados para uma divisão dedicada a casos relacionados com fenómenos inexplicáveis. O elenco inclui ainda nomes como Amy Madigan, Steve Buscemi e Ben Foster.

O novo projeto representa uma tentativa de levar X-Files para uma nova geração, enquanto Vrach Frankenshteyn olha precisamente na direção oposta: recupera uma produção de quase 20 anos atrás e permite ao seu criador voltar a mexer numa obra que considera incompleta.
A chegada de The X-Files: I Want to Believe – Vrach Frankenshteyn à Disney+ transforma, assim, um filme de 2008 num inesperado acontecimento cinematográfico de 2026. Para os fãs, é uma oportunidade de comparar duas versões da mesma história e descobrir até que ponto a remoção dos elementos mais violentos e perturbadores condicionou o resultado original.
Com Mulder e Scully, um padre que afirma ter visões, desaparecimentos misteriosos, experiências humanas e uma criatura inspirada em Frankenstein, Chris Carter promete finalmente mostrar o lado mais sombrio de uma história que, em 2008, chegou às salas com outra forma.
E, quase 20 anos depois, a pergunta permanece a mesma:
A verdade está por aí. Outra vez.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.


