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O palco muda-se para o cinema: os grandes espetáculos que chegam aos cinemas

Os cinemas portugueses preparam-se para receber, nas próximas semanas, uma sucessão de grandes eventos musicais. Entre filmes-concerto que procuram reproduzir no grande ecrã a dimensão dos espetáculos ao vivo e documentários que recuperam momentos decisivos da carreira de algumas das maiores bandas e artistas da música popular, a programação promete transformar as salas de cinema em verdadeiras arenas.

A tendência acompanha a crescente importância do cinema musical enquanto experiência cinematográfica. Concertos filmados com dezenas de câmaras, som imersivo, formatos premium e imagens inéditas permitem transportar para a sala de cinema espetáculos que, em muitos casos, já esgotaram arenas em todo o mundo.

Don't Look Back in Anger
Oasis: Don’t Look Back in Anger

O primeira grande evento acontece já a 26 de agosto, com Ghost: 2 Big to Rig, o filme-concerto que leva aos cinemas o universo teatral e ocultista dos Ghost.

Realizado por Amir Chamdin, o filme é o resultado dos dois concertos esgotados que a banda realizou na Cidade do México, no âmbito da SKELETOUR WORLD TOUR. Com cerca de 40 mil espectadores nos dois espetáculos, o registo constitui a principal memória cinematográfica da digressão que acompanhou SKELETÁ, sexto álbum de estúdio dos Ghost, que alcançou o primeiro lugar mundial em 2025.

Filmado em película de 16 mm, Ghost: 2 Big to Rig apresenta Papa V Perpetua e os Nameless Ghouls em palco, mas também inclui acesso aos bastidores. O alinhamento percorre os seis álbuns da banda e inclui temas que se transformaram em favoritos dos fãs, como “Mary On A Cross”, “Kiss the Go-Goat” e “The Future is a Foreign Land”.

A passagem da SKELETOUR pelos cinemas assume uma particular importância para o público português: a digressão passou por Portugal antes de terminar, em fevereiro de 2026.

Uma semana depois, a 2 de setembro, chega às salas Katy Perry: The Lifetimes Tour – Live From Paris.

Filmado na icónica Accor Arena, em Paris, durante os concertos esgotados da Lifetimes Tour, em novembro de 2025, o filme-concerto foi realizado por Paul Dugdale, especialista neste género de produções, e filmado através de mais de 60 ângulos de câmara.

O resultado pretende colocar o espectador na primeira fila de um dos maiores espetáculos da carreira de Katy Perry, combinando sucessos de diferentes fases da sua carreira com uma produção visual de grande escala, coreografias, efeitos cénicos e a interação da cantora com o público.

Mais do que um simples registo de concerto, The Lifetimes Tour – Live From Paris procura reproduzir no cinema a dimensão visual da digressão, permitindo ao público assistir a um espetáculo concebido originalmente para grandes arenas.

A 10 de setembro é a vez dos Oasis, com Oasis: Don’t Look Back in Anger, documentário dedicado ao aguardado reencontro de Liam e Noel Gallagher e à digressão Oasis Live ’25.

O filme terá a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza e chegará posteriormente a cinemas selecionados e salas IMAX. Realizado por Dylan Southern e Will Lovelace, a partir de uma produção associada a Steven Knight, o documentário acompanha a reunião da banda e a digressão que marcou o regresso dos Oasis aos palcos.

A produção combina imagens de ensaios, bastidores e concertos com entrevistas aos dois irmãos. Entre os elementos mais aguardados encontra-se a primeira entrevista conjunta de Liam e Noel em mais de 20 anos.

Oasis: Don’t Look Back in Anger não se limita, contudo, a documentar o regresso de uma das bandas britânicas mais influentes das últimas décadas. O filme procura também retratar o impacto emocional e cultural provocado pelo reencontro dos Oasis e pela relação que várias gerações de fãs mantêm com a música do grupo.

O mês de setembro termina com outro regresso particularmente significativo. A 30 de setembro, chega aos cinemas Linkin Park: Unshatter, documentário realizado por Joe Hahn, membro fundador da banda.

O filme acompanha o percurso dos Linkin Park desde as primeiras sessões de estúdio, em 2022, até à criação e lançamento de From Zero e aos concertos realizados após o regresso da banda aos palcos.

A produção aborda inevitavelmente o período posterior à morte de Chester Bennington, em 2017, e a difícil decisão de reconstruir o grupo. A entrada da vocalista Emily Armstrong e do baterista Colin Brittain abriu uma nova fase na história dos Linkin Park, que o documentário acompanha através de entrevistas, imagens de arquivo, sessões de estúdio e atuações ao vivo.

Realizado inicialmente com a ideia de criar um filme-concerto, Unshatter acabou por assumir uma dimensão mais abrangente, centrada na reinvenção artística da banda e na relação entre os seus elementos, os fãs e o legado de Bennington.

A programação musical poderá prolongar-se para além de setembro, embora, no caso de Portugal, seja ainda necessário aguardar pela confirmação das datas de estreia e das salas.

Entre os eventos internacionais anunciados encontra-se Queen: Budapest, previsto para 7 e 10 de outubro em sessões IMAX. O documentário recupera a histórica atuação dos Queen em Budapeste, num período em que a banda se tornou uma das poucas formações ocidentais de grande dimensão a atuar no bloco de Leste durante a Guerra Fria.

O filme recupera esse momento histórico e procura recriar a dimensão do espetáculo num formato concebido para o grande ecrã e, pela primeira vez, para salas IMAX.

Outro dos títulos anunciados internacionalmente é George Michael: The Faith Tour, com lançamento previsto para 11 de dezembro. Filmado durante os concertos realizados em Paris na primeira digressão a solo de George Michael, o filme recupera um momento fundamental da carreira do cantor britânico.

As sessões serão acompanhadas pela curta-metragem Finding Faith, que inclui imagens inéditas do artista. Alguns mercados internacionais deverão receber sessões antecipadas a partir de 4 de novembro, mas a presença destes eventos na programação portuguesa ainda carece de confirmação.

As salas portuguesas continuam também a receber grandes produções de ópera e bailado, transmitidas ou gravadas para o grande ecrã, aproximando o público de espetáculos de algumas das mais prestigiadas companhias internacionais. É o caso das produções do Royal Ballet & Opera, com títulos como Manon, Carmen e O Quebra-Nozes, e das apresentações do Ballet da Ópera de Paris, incluindo Romeu e Julieta e O Lago dos Cisnes. A estes eventos junta-se André Rieu’s 26 Summer Concert: Viva Maastricht!, com estreia marcada para 29 de agosto de 2026, que celebra os 20 anos dos célebres concertos de verão do violinista na praça Vrijthof, em Maastricht.



Para os espectadores portugueses, a recomendação é simples: consultar previamente a programação das salas de cinema, uma vez que estes títulos são frequentemente exibidos em número limitado de dia(s), sessões e, em alguns casos, apenas em determinados complexos ou formatos premium como salas IMAX.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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