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Atari: parceria para levar clássicos ao grande ecrã

Os lendários videojogos da Atari vão dar o salto para o grande ecrã. A Universal Pictures e a produtora Entertainment 360 estabeleceram um acordo com a histórica empresa norte-americana para desenvolver adaptações cinematográficas de dez das suas propriedades mais icónicas, num projeto que reforça a crescente aposta de Hollywood nos videojogos como uma das principais fontes de novas franquias. O primeiro filme já está em desenvolvimento, embora o título escolhido permaneça, para já, em segredo.

Fundada em 1972, a Atari é uma das empresas mais influentes da história dos videojogos. Foi responsável por popularizar o entretenimento eletrónico doméstico através da consola Atari 2600 e de clássicos como Pong, Asteroids, Missile Command e Centipede, obras que ajudaram a definir toda uma geração de jogadores e lançaram as bases da indústria moderna dos videojogos. Mais de cinco décadas depois, muitos destes títulos continuam a ser referências incontornáveis da cultura popular, influenciando gerações de criadores e permanecendo presentes em compilações, remasterizações e novas interpretações.

A influência da Atari estendeu-se, aliás, muito para além dos videojogos. Durante a década de 1980, a empresa expandiu alguns dos seus universos para a banda desenhada através da série Atari Force, publicada entre 1982 e 1986, que reuniu nomes de referência da indústria, como Gerry Conway, Roy Thomas, Ross Andru e Gil Kane. Décadas mais tarde, em 2015, a Dynamite Entertainment anunciou uma parceria com a Atari para recuperar este legado, prevendo a reedição integral de Atari Force, a publicação de novas bandas desenhadas inspiradas em propriedades como Asteroids, Centipede, Crystal Castles, Missile Command, Tempest e Yars’ Revenge, bem como um livro de arte dedicado à história da empresa. Embora o aclamado Art of Atari e a reedição de Swordquest tenham chegado às livrarias, a aguardada compilação de Atari Force acabou por ser cancelada, tornando-se um dos projetos mais lamentados pelos colecionadores e admiradores da marca.

É precisamente este legado transmedia que a Atari pretende agora expandir com a nova parceria celebrada com a Universal Pictures. O acordo concede ao estúdio os direitos para desenvolver filmes baseados em dez propriedades clássicas da empresa: Asteroids, Adventure, Berzerk, Breakout, Centipede, Crystal Castles, Millipede, Missile Command, Pong e Yars’ Revenge. O objetivo passa por transformar estes universos em grandes aventuras cinematográficas, procurando criar novas sagas capazes de conquistar tanto os fãs de longa data como uma nova geração de espectadores.

Atari International Asteroids tournament emSan Francisco, EUA, 1981

“Durante mais de cinco décadas, a Atari criou jogos e mundos que permaneceram parte da cultura popular muito para além do seu lançamento original”, afirmou Wade Rosen, presidente e diretor-executivo da Atari. “Estamos entusiasmados por trabalhar com a Universal e a Entertainment 360 para levar o espírito da nossa marca icónica e dos nossos jogos para o grande ecrã.”

O primeiro projeto resulta de um argumento original de Matt Reilly (Violent Night 2) e Carl Hampe (Hellboy), que serão igualmente produtores do filme, ao lado de Guymon Casady (A Guerra dos Tronos), da Entertainment 360. Embora a propriedade escolhida ainda não tenha sido revelada, o estúdio pretende desenvolver produções de grande escala, inspiradas no espírito imaginativo dos videojogos originais.

A aposta surge num momento em que as adaptações de videojogos atravessam uma fase de enorme crescimento em Hollywood. Depois de sucessos como The Super Mario Galaxy: O Filme, Sonic – O Filme ou Um Filme Minecraft, os estúdios procuram cada vez mais propriedades reconhecidas pelo público, numa tendência que muitos analistas consideram poder suceder ao domínio que os filmes de super-heróis exerceram durante cerca de duas décadas.

Atari 2600

Contudo, adaptar os clássicos da Atari representa um desafio muito diferente daquele colocado por videojogos modernos com narrativas elaboradas, como The Last of Us ou Fallout. Grande parte dos títulos da Atari nasceu numa época em que a jogabilidade era o elemento central da experiência, deixando a história praticamente entregue à imaginação do jogador. Jogos como Pong ou Breakout não possuem personagens desenvolvidas, diálogos ou enredos definidos, obrigando os argumentistas a criar praticamente uma narrativa original inspirada apenas no conceito e na identidade visual dos videojogos.

Existem, ainda assim, exceções. Yars’ Revenge, lançado em 1982 para a Atari 2600, apresentava um universo de ficção científica relativamente complexo para a época, com uma guerra intergaláctica entre espécies alienígenas, oferecendo uma base narrativa mais sólida para uma eventual adaptação. Já títulos como Asteroids, Centipede ou Missile Command exigirão um grau muito maior de reinvenção para funcionarem como longas-metragens.

Lego Atari 2600
Set LEGO® Atari® 2600, uma recriação nostálgica de uma das consolas de videojogos mais famosas de todos os tempos

É precisamente esse equilíbrio entre nostalgia e reinvenção que poderá determinar o sucesso desta iniciativa. Para milhões de jogadores, os clássicos da Atari representam memórias da infância e os alicerces de uma indústria hoje multimilionária. Para os espectadores mais jovens, que nunca experimentaram uma consola Atari, estes filmes poderão servir como porta de entrada para descobrir algumas das obras mais importantes da história dos videojogos, revitalizando propriedades que marcaram o nascimento do entretenimento interativo e apresentando-as a uma nova geração através da linguagem do cinema.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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