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Jogos: Monday Syndrome – Análise

Monday Syndrome transforma o esgotamento do escritório em caos roguelike, misturando sátira, combate rápido e ambientes destrutíveis num pesadelo corporativo.

Monday Syndrome

Jogo: Monday Syndrome
Disponível para: PC
Desenvolvedora: hyesmo
Editora: Blackburne Games Studio FZ LLC, Brightika, Inc

Monday Syndrome

Há algo imediatamente apelativo na premissa de Monday Syndrome. Colocar os jogadores numa torre de escritórios procedural, no papel de um estagiário mal pago a lutar contra colegas demoníacos com agrafadores, cadeiras e cafeteiras, é sátira com intenção. É absurdo da forma certa, e o jogo percebe a própria piada. Desde o momento em que as portas do elevador se abrem, o ciclo de jogo ignora a fase habitual de adaptação e entra diretamente em modo de crise operacional. Não estamos a preparar-nos para o caos, já estamos dentro dele.

O combate é rápido, caótico e surpreendentemente tático. A improvisação à distância torna-se a estratégia dominante, especialmente ao usar objetos quotidianos do escritório como projéteis enquanto se navega por cubículos destrutíveis. O ritmo lembra um sprint de produtividade que corre mal, explosões curtas de intensidade seguidas de decisões rápidas de melhoria antes da próxima escalada. A experiência acumulada alimenta melhorias passivas, enquanto o sistema de “ordens executivas” introduz decisões de risco-recompensa que podem otimizar uma build ou arruiná-la por completo. Essa imprevisibilidade joga a favor da experiência. Parece instável, mas de forma deliberada.

Monday Syndrome

Entre partidas, o salário funciona como capital corporativo, desbloqueando mobiliário, armas e modificadores que por vezes se tornam hilariante­mente desequilibrados. Este sistema de progressão deveria ser o eixo da longevidade do jogo. Infelizmente, é também onde Monday Syndrome começa a parecer estruturalmente inacabado.

Apesar da etiqueta de lançamento completo, partes da experiência ainda se comportam como acesso antecipado. Desbloqueios nem sempre são reconhecidos sem reiniciar o jogo, várias árvores de habilidades permanecem inacessíveis e o design dos andares carece de progressão. A dificuldade dos inimigos praticamente não evolui, transformando as fases mais avançadas numa limpeza rotineira em vez de sobrevivência. Até o confronto com o chefe se repete sem variação, enfraquecendo a sensação de progressão na hierarquia corporativa.

Monday Syndrome

Ainda assim, a base é sólida. A sátira funciona, as mecânicas respondem bem e a energia caótica mantém-se consistente. Monday Syndrome parece menos um projeto falhado e mais um projeto lançado cedo demais, competente, criativo, mas ainda não totalmente concluído.

Nota: 6,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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