Jogos: Tomb Raider: Definitive Edition – Análise
Tomb Raider: Definitive Edition na Nintendo Switch 2 recupera a história de origem de Lara Croft com um desempenho elegante e um valor surpreendentemente bom.
Jogo: Tomb Raider: Definitive Edition
Disponível para: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Editora: Aspyr
A chegada de Tomb Raider: Definitive Edition à Nintendo Switch 2, como um lançamento surpresa, sabe um pouco a encontrar um velho casaco favorito que, de alguma forma, ainda serve e até parece melhor sob nova iluminação. Lançado originalmente em 2013, este reboot marcou o início da Lara da era “Sobrevivente” e, mais de uma década depois, continua a ser uma aventura de acção confiante, por vezes irregular, mas inegavelmente envolvente.
Primeiro, as boas notícias. Na Switch 2, o desempenho é extremamente sólido. Falamos de 60 fps, tanto em modo docked como portátil, com uma resolução nítida de 1440p quando ligado à televisão. Os tempos de carregamento são rápidos, o jogo raramente engasga e, em termos de sensação de jogo, corre exactamente como se espera. Por menos de 20 euros, num pacote que inclui todos os DLC, fatos extra e um menu de galeria surpreendentemente recheado, a relação qualidade-preço é quase absurda.
Mas é preciso falar do elefante na sala: os visuais. Apesar do rótulo “Definitive Edition”, esta versão aproxima-se mais da era PS3/Xbox 360 do que das edições melhoradas da PS4. Não há iluminação avançada, as texturas podem parecer ásperas de perto e características icónicas como a física de cabelo TRESSFX estão ausentes. Em movimento, as tempestades, a vegetação e as ruínas de Yamatai continuam a impressionar. Se pararmos para observar com atenção, no entanto, as costuras tornam-se visíveis.
A jogabilidade envelheceu melhor. O combate inspira-se claramente em Uncharted, misturando tiros a partir de cobertura, furtividade e um toque cinematográfico. A exploração é maioritariamente linear, mas abre-se em áreas semelhantes a hubs que recompensam o regresso após desbloquear novas ferramentas. Os túmulos opcionais, essencialmente salas de puzzles autónomas, continuam a ser um ponto alto: curtos, engenhosos e gratificantes. A árvore de habilidades e os sistemas leves de RPG mantêm a progressão dinâmica, mesmo que já não tragam grandes novidades nos dias de hoje.
Nem tudo resistiu bem ao passar do tempo. Os quick-time events são frequentes e parecem datados, sobretudo durante cenas de perseguição intensas. Pior ainda, a narrativa continua a sofrer de dissonância tonal. As cutscenes mostram uma Lara emocionalmente devastada pela violência, enquanto a jogabilidade a transforma numa força de destruição a solo momentos depois. É desconcertante, ainda hoje.
As funcionalidades específicas da Switch ficam a meio termo. Os controlos com rato através dos Joy-Con 2 existem, mas são desconfortáveis e demasiado sensíveis. A mira com giroscópio, estranhamente ausente do combate propriamente dito, parece uma oportunidade perdida.
Ainda assim, com todos os seus defeitos, trata-se de um excelente jogo de acção portátil. Não é uma montra das capacidades da Switch 2, mas é uma aventura polida, rica em conteúdos e com um preço absolutamente irresistível.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






