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Jogos: Demonschool – Análise

Demonschool mistura puzzles tácticos, horror ligeiro e palhaçadas universitárias ao estilo Persona, num RPG estiloso mas que pode dividir opiniões.

Demonschool

Jogo: Demonschool
Disponível para: Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch, PC
Desenvolvedora: Necrosoft Games
Editora: Ysbryd Games

Demonschool
Demonschool é daqueles jogos que revelam imediatamente as suas inspirações, mas que ainda assim tentam abrir um nicho estranho e encantador por conta própria. Chegas à Universidade da Ilha Hemsk à espera dos habituais nervos de “início de semestre” e, em vez disso, recebes uma profecia, uma herança de caçadores de demónios e um clube cheio de desastres adoráveis que, de alguma forma, se tornam a tua equipa de prevenção do apocalipse. É um cocktail de tons, metade horror, metade sitcom, bem agitado.

Onde o jogo realmente brilha é no combate. Os desenvolvedores chamam-lhe “tácticas de novo estilo”, mas é mais fácil imaginar se pensares em Into the Breach a esbarrar com os primeiros Persona nos corredores do campus. Cada encontro decorre numa grelha limpa, e os ataques acontecem ao investires contra os inimigos, simples no papel, mas surpreendentemente profundos. A reserva de AP partilhada obriga-te a gerir bem a equipa, porque abusar do teu atacante mais forte fica caro depressa. Por isso, vais rodando personagens, empurrando inimigos, preparando combinações: congelar alguém com a Namako, alinhá-los para o Destin, e depois deixar a Faye passar por cima como um comboio de mercadorias.

Tudo isto acontece numa Fase de Planeamento que te deixa experimentar livremente. Recuar, ajustar, optimizar ao máximo. Quando finalmente confirmas o turno, ver toda a sequência a desenrolar-se é estranhamente satisfatório, quase como se tivesses coreografado uma pequena ópera de combate.

Demonschool

Fora do combate, Demonschool torna-se mais divisivo. A escrita aposta forte em piadas rápidas e trocas de galhardetes. Às vezes resulta, a tua pequena família improvisada é estranhamente adorável, e a estrutura de calendário pouco exigente dá-te tempo para aproveitar noites de karaoke ou pesca demoníaca sem stress. Mas o choque tonal pode ser duro: um cadáver a explodir seguido de uma graçola dois segundos depois não é para todos. Ainda assim, o jogo é confiante na sua própria vibração, e perceberás cedo se essa vibração coincide contigo.

A apresentação, pelo menos, é irrepreensível. O estilo do final dos anos 90/início dos 2000 não é só nostalgia, é um compromisso estético total. Sprites 2D sobre cenários 3D volumosos, bosses enormes, sintetizadores sombrios e até acordes operáticos durante os grandes combates. Sente-se tudo muito cuidado, deliberado, estiloso.

Demonschool

Demonschool é um jogo de nicho, sim, mas orgulhoso disso. Se gostas de puzzles tácticos com personalidade, ou se os primeiros Persona ainda vivem na tua memória com renda vitalícia, provavelmente encontrarás aqui algo para adorar. Se procuras um argumento mais apertado ou um ritmo de RPG mais rápido e tradicional, este campus pode pôr a tua paciência à prova.

Nota: 8/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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