Jogos: Wonder Boy: Asha in Monster World – Análise
Wonder Boy: Asha in Monster World é um remake do clássico de 1994, agora disponível para PS5 e Xbox Series X.

Jogo: Wonder Boy: Asha in Monster World
Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedor: G CHOICE, Monkey Craft
Editora: Bliss Brain

Originalmente um clássico da Mega Drive, conhecido como Monster World IV, Wonder Boy: Asha in Monster World recebeu um remake moderno em 2021 e chegou agora à PlayStation 5 e Xbox Series X em 2025. Este jogo de plataformas e ação 2D de deslocamento lateral, com elementos ligeiros de RPG, mantém em grande parte a jogabilidade principal e o layout do mapa do seu venerável predecessor. Apresenta-se como uma aventura vibrante e acessível, particularmente adequada para jogadores que procuram uma experiência direta e encantadora. Para fãs de longa data da série Monster World e para recém-chegados, oferece uma jornada agradável, embora familiar.
A versão para PS5 de Wonder Boy: Asha in Monster World traz várias melhorias bem-vindas que elevam a experiência original. Uma melhoria significativa na qualidade de vida surge na forma de um sistema de gravação de progresso aprimorado, permitindo aos jogadores a flexibilidade de guardar o seu progresso em quase qualquer lugar — um forte contraste com as mecânicas de gravação mais restritivas do original de 1994.
Visualmente, o jogo sofreu uma transformação notável, adotando uma estética 3D cel-shaded em 2.5D. Esta renovação visual é caracterizada por cores brilhantes e animações encantadoras, apresentando um mundo delicioso e envolvente que é genuinamente “ótimo para explorar”. A complementar os visuais atualizados está uma banda sonora remasterizada, meticulosamente criada pelo compositor original, que é consistentemente elogiada pela sua qualidade e pela capacidade de melhorar a atmosfera do jogo.
O apelo do jogo é ainda reforçado pelas suas personagens encantadoras. A protagonista Asha e a sua leal companheira Pepelogoo são adoráveis, adicionando uma camada de fofura e personalidade à aventura. Além disso, a acessibilidade do jogo é uma característica louvável, oferecendo uma dificuldade mais fácil para o combate, tornando-o uma opção adequada para jogadores mais jovens. Apesar de alguns elementos que revelam a sua idade, a jogabilidade principal permanece divertida, com a mistura de plataformas, ação, exploração e mecânicas leves de RPG (como gestão de equipamento e missões de NPC no mundo central) proporcionando uma experiência razoavelmente envolvente.
Embora Wonder Boy: Asha in Monster World entregue uma recriação fiel, também realça algumas áreas onde o remake, e particularmente as suas mais recentes versões, poderiam ter ido mais além. Uma crítica comum gira em torno da falta de inovação no remake. Alguns observadores sentem que foram feitas menos mudanças do que o justificável, levando à perceção de que os sistemas e a profundidade do jogo “envelheceram”, representando uma oportunidade perdida para uma modernização mais substancial de um clássico. Este sentimento é amplificado pelo facto de as versões para PS5 e Xbox Series X não oferecerem conteúdo novo, funcionalidades ou melhorias gráficas significativas em comparação com os lançamentos de 2021 para PS4, Switch e PC. A ausência de funcionalidade de cross-buy ou cross-save com a versão para PS4 é também um ponto de discórdia para os proprietários existentes.
A jogabilidade pode ser prejudicada pela imprecisão dos controlos, que alguns críticos descrevem como “soltos e imprecisos”. Este problema é particularmente grave durante segmentos críticos de plataformas, onde o movimento preciso é primordial. Relacionado com isto está o centramento do jogador e o comportamento da câmara: o centramento constante da personagem do jogador, combinado com uma velocidade de movimento mais alta e ausência de pivot da câmara, pode levar a uma navegação problemática e à dependência de “saltos cegos”, onde o jogador não consegue ver o local de aterragem.
Talvez as críticas mais significativas sejam dirigidas à falta de orientação do jogo e a escolhas de design arcaicas. A ausência de um sistema de waypoints ou de um mapa no jogo é uma grande fonte de frustração, com os jogadores a relatar frequentemente que ficam presos devido a objetivos pouco claros e gatilhos de progressão obscuros. Além disso, a fraca tutorialização das habilidades de Pepelogoo (como flutuar, salto duplo e arremessar) força os jogadores a um tedioso método de tentativa e erro para entender como utilizar eficazmente o seu companheiro. Estas decisões de design, embora talvez desculpáveis na era do lançamento original, “parecem horrivelmente desajustadas num lançamento moderno”, compelindo os jogadores a passar por tentativa e erro em mecânicas de jogo arcaicas.
Resta concluir que Wonder Boy: Asha in Monster World na PlayStation 5 oferece um regresso encantador e acessível a um clássico amado. Os seus visuais atualizados e banda sonora remasterizada proporcionam uma experiência agradável tanto para fãs como para recém-chegados. No entanto, a abordagem conservadora do remake à modernização, a falta de conteúdo novo para estas últimas versões e algumas peculiaridades de design persistentes relacionadas com controlos e orientação impedem-no de atingir todo o seu potencial como um clássico verdadeiramente revitalizado.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




