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Jogos: Tokyo Scramble – Análise

Tokyo Scramble promete tensão de survival horror retro no subsolo de Tóquio, mas a furtividade desajeitada, a IA inconsistente e a escrita fraca enterram rapidamente o seu potencial.

Tokyo Scramble

Jogo: Tokyo Scramble
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Adglobe
Editora: Binary Haze Interactive

Tokyo Scramble

Há um público muito específico que vai olhar para Tokyo Scramble e pensar em Dino Crisis ou em Alien: Isolation. Dinossauros em corredores apertados, protagonista indefesa, foco na tensão em vez do poder de fogo, no papel faz sentido. Na prática, o jogo desmorona sob o peso das próprias decisões de design.

Ambientado num Tóquio subterrâneo pós-desastre, o jogo coloca a adolescente Anne presa numa gigantesca cratera, rodeada por “Zinos”, híbridos pré-históricos que vão de Goblins semelhantes a velociraptores a Blockheads em forma de tartarugas de pedra e Ninjas aquáticos com dentes afiados. A premissa tem um certo charme de série B e esse tom inicialmente até parece intencional. Mas a narrativa rapidamente perde o rumo. Anne reage a monstros letais com uma calma desconcertante, dá ao seu smartwatch a alcunha de “Diana” e conversa com os colegas de banda, o grupo chama-se Tokyo Scramble, sobre dramas banais enquanto está à beira da morte. O elenco secundário não é um alívio cómico, é exaustivo. Quando o irmão Ray finalmente entra em cena, a dinâmica entre os dois soa artificial, quase manipuladora, com separações forçadas que parecem puro enchimento mecânico em vez de desenvolvimento narrativo.

Tokyo Scramble

Em termos mecânicos, estamos perante um survival assente exclusivamente na furtividade. Anne não pode lutar. Corre, esconde-se, hackeia empilhadores e alarmes com o relógio ou usa um flash limitado para atordoar inimigos. O sistema de ritmo cardíaco, que impede corridas prolongadas ao ultrapassar as 150 BPM, parece imersivo na teoria, mas na prática funciona como uma trela. Não estamos a gerir tensão, estamos a vigiar uma barra. Junte-se mortes com um só golpe, checkpoints mal colocados e uma IA que alterna entre completamente apática e subitamente brilhante, e o resultado é frustração em vez de medo. O ciclo central torna-se tentativa e erro. Não estratégia. Não mestria. Repetição.

Visualmente, é irregular. Anne e os Zinos estão razoavelmente modelados, mas os cenários parecem saídos de um pacote genérico de assets. A iluminação carece de profundidade, as texturas são difusas, com um ar de geração PS3, e a câmara, demasiado próxima, compromete a leitura do espaço num jogo que exige precisão.

Tokyo Scramble

Resta concluir que, em Tokyo Scramble há pedacinhos de criatividade nos puzzles ambientais e em alguns confrontos com bosses. Mas ambição sem execução é ruído. Tokyo Scramble quer ser um culto retro do survival horror, mas, acaba por ser um aviso.

Nota: 3/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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