Jogos: Terrifier: The ARTcade Game – Análise
Terrifier: The ARTcade Game recupera a carnificina “beat ’em up” à moda antiga, com baldes de gore, estilo retro e pouquíssima subtileza, exactamente como Art the Clown pretendia.
Jogo: Terrifier: The ARTcade Game
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Relevo
Editora: Selecta Play

Terrifier: The ARTcade Game é exactamente aquilo que o título promete e pouco mais. Trata-se de um beat ’em up de deslocação lateral, com temática de terror, forjado no espírito dos regressos nostálgicos do Xbox Live Arcade do início dos anos 2010, com a Relevo a canalizar ultraviolência pixelizada e a Selecta Play a exibir orgulhosamente a licença de Terrifier. A premissa é gloriosamente estúpida no melhor sentido possível: não se param assassinos, tu és o assassino, abrindo caminho por um set de filmagens enquanto massacras elenco, equipa técnica e qualquer infeliz que apareça no ecrã.
Visualmente, o jogo vende-se muito bem. A pixel art é nítida, expressiva e encharcada em sangue, claramente inspirada em Scott Pilgrim vs. The World: The Game. Membros voam, vísceras colam-se ao chão e o ecrã transforma-se lentamente numa cena de crime. Por vezes, até em demasia. Corpos e salpicos de sangue permanecem no cenário, poluindo a visibilidade e ocasionalmente sabotando o jogador. Estiloso? Sem dúvida. Prático? Nem sempre.
É possível escolher entre Art the Clown, a Pale Little Girl, Vicky Hayes ou Burke e, apesar de as animações variarem, todos jogam praticamente da mesma forma. Cada personagem tem apenas um golpe especial e duas animações de execução, e é aí que acaba a diferenciação. As execuções são satisfatórias e concedem “frames” de invencibilidade, mas a repetição instala-se depressa. Muito depressa.
O combate é simples, por vezes simples demais. Combinações de ataque leve e pesado, ataques aéreos, investidas e a ocasional arma apanhada no cenário constituem o ciclo principal. Os inimigos podem ser facilmente mantidos em stun-lock, o que elimina grande parte da tensão, enquanto os picos de dificuldade resultam de tácticas baratas, bloqueio constante, tiros fora de ecrã e poucos pickups de vida. As lutas contra bosses apostam no humor meta, com destaques como o Cameraman e o realizador Damien Leone, mas mecanicamente ficam aquém. O boss final, em particular, frustra mais do que desafia.
O design sonoro fica algures a meio. A banda sonora em chiptune encaixa no caos, mas repete-se de forma agressiva, e os limitados efeitos sonoros “esponjosos” tornam-se cansativos. Há também um contraste estranho entre o ruído incessante e o silêncio icónico de Art.
Em termos de conteúdo, o jogo é escasso. O modo história pode ser terminado em menos de duas horas, com os modos Arcade e Versus a servirem sobretudo de enchimento. O verdadeiro trunfo é o cooperativo local até quatro jogadores, com amigos, a experiência é claramente mais divertida.
Os problemas técnicos arrastam ainda mais a experiência, desde bugs no aparecimento de inimigos até falhas na interface que têm pouco ou nenhum impacto.
Resta concluir que, Terrifier: The ARTcade Game oferece mais sangue do que substância. É uma carta de amor para fãs de gore e pancadaria retro, mas uma proposta difícil de recomendar a quem procura profundidade ou longevidade.
Nota: 5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





