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Jogos: Scott Pilgrim EX – Análise

Um regresso cheio de estilo à Toronto mais caótica da música. Scott Pilgrim EX mistura pancadaria, profundidade de fighting game, pixel art brilhante e uma banda sonora memorável.

Scott Pilgrim EX

Jogo: Scott Pilgrim EX
Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Tribute Games
Editora: Tribute Games

Scott Pilgrim EX
Antes de começarmos a análise propriamente dita, gostaria de deixar um disclaimer: eu sei que já escrevi “Primeiras Impressões” sobre Scott Pilgrim EX. No entanto, senti a necessidade de escrever um artigo um pouquinho mais completo, agora baseado no jogo final.

Dezasseis anos depois do beat ’em up cult que se recusou a desaparecer, o universo de Scott Pilgrim EX regressa com confiança, guitarras distorcidas e uma profundidade mecânica inesperada. Desenvolvido pela Tribute Games, este novo capítulo não se limita a viver da nostalgia, usa-a como combustível. O resultado é um brawler caótico e energético que funciona simultaneamente como carta de amor à série e como uma reinvenção segura de si própria.

Scott Pilgrim EX

A premissa é tão absurda quanto os fãs poderiam desejar. Numa Toronto futurista situada em “20XX”, um duplo robótico, Metal Scott, rapta os membros da Sex Bob-omb e rouba os seus instrumentos. Naturalmente, cabe a Scott Pilgrim atravessar a cidade à pancada, salvar os colegas de banda e ainda chegar ao concerto a tempo. A história abraça completamente o humor absurdo da franquia e nunca pede desculpa por isso. Pelo contrário, intensifica-o com dimensões alternativas, nostalgia temporal e um tom claramente mais leve e divertido do que o já peculiar jogo de 2010.

Onde Scott Pilgrim EX realmente surpreende é no sistema de combate. À superfície temos a fórmula clássica do género, inimigos em vagas, especiais que enchem o ecrã e golpes satisfatórios em pixel art. Mas por baixo dessa base arcade esconde-se um sistema inspirado diretamente nos fighting games. Os jogadores podem aparar ataques, bloquear, executar pequenos saltos táticos, esquivas rápidas e criar combos bastante técnicos. O elenco de sete personagens reforça essa profundidade. Ramona Flowers, por exemplo, controla o espaço com o seu enorme martelo e ataques vindos do subspace, enquanto outras personagens apostam em estilos distintos, como grappling pesado, zoning ou pressão ofensiva constante. É um nível de especialização pouco comum para o género e que torna experimentar cada personagem genuinamente interessante.

Scott Pilgrim EX

A própria estrutura do jogo também merece destaque. Em vez de níveis lineares, Toronto surge como um mapa interligado, claramente inspirado na liberdade de exploração de clássicos como River City Ransom. Os jogadores percorrem bairros, encontram desafios opcionais, descobrem portais escondidos e fazem compras em lojas espalhadas pela cidade. Os inimigos deixam cair moedas que alimentam um sistema RPG leve, comida para recuperar vida, cassetes de vídeo que aumentam permanentemente atributos e badges que concedem bónus passivos. É simples, mas funciona bem, especialmente em cooperativo, onde até quatro jogadores podem partilhar recursos e ajudar colegas em dificuldades.

A apresentação também faz grande parte do trabalho. A pixel art é vibrante, detalhada e cheia de personalidade, com animações expressivas que parecem sair diretamente de uma banda desenhada. O mundo está repleto de referências e pequenas piadas visuais. Já a banda sonora de Anamanaguchi entrega exatamente aquilo que os fãs esperavam, temas chiptune energéticos, contagiantes e difíceis de esquecer.

Nem tudo é perfeito. Em combates maiores, o ecrã pode transformar-se num verdadeiro caos visual de efeitos, inimigos e assistências. O sistema de progressão também pode reduzir demasiado a dificuldade quando as estatísticas começam a subir. E, embora a campanha dure entre cinco e dez horas, o incentivo para repetir a experiência depois de terminar a história não é particularmente forte.

Scott Pilgrim EX

Ainda assim, Scott Pilgrim EX percebe algo essencial, energia conta. É caótico, barulhento, por vezes exagerado, mas é sempre divertido. E, no fundo, é exatamente isso que um bom beat ’em up deve ser.

Nota: 8/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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