Jogos: Mario Tennis Fever – Análise
Mario Tennis Fever está cheio de momentos frenéticos, power-ups caóticos e um modo história que oscila entre o charme e o arrastado.
Jogo: Mario Tennis Fever
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Camelot Co., Ltd.
Editora: Nintendo
Não vale a pena fingir: Mario Tennis Fever não quer ser realista. Quer ser rápido. Quer ser espetáculo. E, acima de tudo, quer aquela troca de bolas viciante, decidida em frações de segundo, que se sente mais próxima de uma máquina arcade competitiva do que do relvado de Wimbledon.
Desde o primeiro rally, a intenção é clara. Estamos perante ténis de alta velocidade, focado em reflexos e leitura imediata, onde erros não forçados são praticamente inexistentes. Não vais mandar a bola à rede por calcular mal o efeito. Não vais falhar linhas por excesso de força. Os pontos ganham-se através de posicionamento, ângulos e antecipação, uma espécie de xadrez em alta rotação, disfarçado de caos colorido. Há quem o compare a uma mistura de Pong com Breakout. E faz sentido.
No seu cerne, Mario Tennis Fever vive da clareza. Tens seis tipos principais de pancada, Top Spin, Slice, Flat, Lob, Drop Shot e a grande novidade, a Fever Shot. Cada uma integra um sistema de rallies assente no controlo do espaço. Quanto melhor leres o adversário, mais o obrigas a sair da sua zona de conforto. Não é sobre simulação, é sobre pressão. Além disso, o elenco de 38 personagens não é apenas fan service, é design funcional.
O novo Fever Meter enche durante os rallies e, quando atinge o máximo, permite disparar pancadas devastadoras associadas a 30 raquetes únicas. É aqui que o jogo assume totalmente a sua identidade.
Manchas de fogo queimam o campo. Zonas de relâmpagos penalizam maus posicionamentos. Cascas de banana fazem escorregar. Mini Mushrooms encolhem o adversário. É absurdo. É caótico. É muito Mario.
Mas há uma nuance importante, as Fever Shots podem ser revertidas com timing perfeito. Se falhares a devolução e a bola cair no teu campo, o efeito negativo ativa-se contra ti. Esta lógica de risco-recompensa acrescenta tensão real aos encontros de alto nível. Ler uma Fever Shot e contra-atacar no momento certo é extremamente satisfatório.
Não é ténis tradicional. Nem quer ser. É um sistema arcade competitivo vestido de ténis.
O modo história é… arrojado. Num enredo extravagante, Mario e companhia são transformados em bebés e enviados para uma escola de ténis gerida por Toads. O objetivo? Voltar ao normal!
A primeira metade é problemática. A secção da “escola” funciona como um tutorial prolongado, com questionários, exames práticos e demasiadas idas e vindas entre NPC. Pode passar quase uma hora com pouco ténis relevante. Sente-se arrastado. Sente-se excessivo. E, num jogo que vive da velocidade, isso pesa.
Ultrapassada essa fase, tudo melhora. As Ice Ruins introduzem campos escorregadios e Chain Chomps à solta. A Heavy Forest obscurece o ecrã com lama disparada por Piranha Plants. O Foggy Swamp e o Valley of the Monsters adicionam modificadores ambientais que alteram a dinâmica dos rallies de forma criativa. Há combates contra bosses, pequenos segmentos de exploração quase “dungeon crawling” com a raquete e até minijogos ao estilo Mario Party, como rebater bombas contra Bowser ou afastar morcegos para limpar o céu.
Fora da campanha de história, Mario Tennis Fever é generoso. O Tournament Mode inclui os clássicos Mushroom, Flower e Star Cups, jogáveis a solo ou em cooperativo local. O Trial Towers aposta numa estrutura rogue-lite com 10 andares de desafios aleatórios e bosses progressivamente mais exigentes, facilmente um dos modos mais estimulantes do pacote.
O Wonder Court oferece partidas rápidas onde a recolha de Wonder Seeds desencadeia efeitos imprevisíveis durante o jogo. Ideal para sessões descontraídas no sofá.
Em “Mix It Up” encontramos Ring Shot, desafios de precisão no Racket Factory e sobrevivência cooperativa contra Piranha Plants. O Swing Mode utiliza os Joy-Cons com controlos por movimento para uma experiência mais física e orientada para o convívio.
E depois há o Free Play. Partidas completas à melhor de 5 sets. Fever Rackets ativadas ou desligadas. Personalização total. Para quem procura uma experiência mais próxima de um “jogo a sério”, é aqui que o sistema respira.
O modo Ranked começa no B Rank e suporta Singles e Doubles, com ou sem Fever Rackets. Tecnicamente, o desempenho é estável, com poucos relatos de lag ou quebras de framerate, mesmo em modo portátil.
Resta concluir que Mario Tennis Fever oferece partidas intensas e mecanicamente sólidas, envoltas num pacote visualmente apelativo e acessível. O modo história começa mal, mas a diversidade de personagens, a profundidade do sistema Fever e a infraestrutura online bem polida sustentam a experiência.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.







