Jogos: Karate Survivor – Análise
Karate Survivor é um pouco como se Jackie Chan se cruzasse com Vampire Survivors, num caos pixelizado.
Jogo: Karate Survivor
Disponível para: PC, Nintendo Switch
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Alawar
Editora: Alawar
Se alguma vez sonhaste em ser a estrela de um caótico filme de kung fu dos anos 90, onde cada banco, vassoura ou garrafa de cerveja pode servir de arma, Karate Survivor pode muito bem chamar a tua atenção. Pega na fórmula de combate automático e sobrevivência em ondas, popularizada por Vampire Survivors, e veste-a com artes marciais, ruído pixelado e bastante charme nostálgico. Mas será que acerta alto o suficiente para se destacar, ou tropeça nos próprios pés?
A fantasia aqui está no ponto. Largado em cenários que parecem saídos diretamente do cinema de ação de Hong Kong, bares empoeirados, estações de metro apinhadas, andaimes de construção instáveis, és um lutador solitário contra enxames intermináveis. Os golpes disparam automaticamente, por isso a tua tarefa é organizar combos, desviar-te das multidões e usar de forma inteligente os objetos do ambiente. Ver um saco do lixo explodir em confusão ou lançar uma cadeira contra inimigos capta mesmo o espírito caótico da coreografia de Jackie Chan. Junta uns efeitos sonoros retro e batidas de arcade bem marcadas, e a atmosfera brilha.
A jogabilidade, no entanto, é um saco misto. Os movimentos codificados por cores (vermelho para dano, azul para alcance, amarelo para efeitos) soam táticos, mas na prática estão mal explicados e muitas vezes parecem pouco desenvolvidos. Há combos, sim, mas a recompensa não é suficientemente dramática para fazer grande diferença. Pior ainda, as primeiras horas são dolorosamente restritivas, sem truques de movimento desbloqueados como rolar ou deslizar, ficas preso a combates corpo a corpo rígidos que rapidamente se tornam repetitivos. É preciso paciência até o jogo florescer na pancadaria frenética de kung fu que ambiciona ser.
A progressão a longo prazo traz alguma satisfação. Desbloquear melhorias permanentes de vida ou opções de mobilidade acaba por transformar-te de novato encurralado em redemoinho imparável. O problema é o ritmo: muitos jogadores podem nunca aguentar o suficiente para chegar a esse ponto alto. Comparado com a sua inspiração, Karate Survivor tem dificuldade em oferecer aquela sensação gratificante de poder crescente, e as acusações de ser apenas um “reskin” não são totalmente injustas.
Ainda assim, para fãs da nostalgia das artes marciais, há prazer no caos. Esmagar ondas de capangas sem rosto com um cabo de esfregona enquanto a chiptune entra a fundo sabe bem. É imperfeito, sim, mas também uma carta de amor peculiar a uma era muito específica do cinema.
Nota: 4,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





