Jogos: Fairy Tail Dungeons – Análise
Fairy Tail Dungeons na Nintendo Switch combina mecânicas roguelike de construção de baralhos com o charme característico do anime, oferecendo uma aventura surpreendentemente profunda e tecnicamente polida.
Jogo: Fairy Tail Dungeons
Disponível para: Nintendo Switch, PC
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: ginolabo
Editora: Kodansha Creators’ Lab
À primeira vista, Fairy Tail Dungeons pode parecer apenas mais um spin-off de anime a seguir tendências bem estabelecidas. Basta, no entanto, passar uma hora com o jogo para se tornar claro que a ginolabo, criador a solo e mente por trás de SOULVARS, que por si só já é um título notável, compreendeu exatamente o que era necessário. O resultado é um roguelike deckbuilder que respeita o tempo do jogador, o seu fandom e o apetite por sistemas interligados que dialogam de forma consistente e intencional.
A premissa narrativa é refrescantemente eficiente. Uma crise não canónica abre portais labirínticos sob as sedes da guilda Fairy Tail, engolindo feiticeiros inteiros, incluindo Gildarts Clive, o que nunca é bom sinal. Natsu e Happy mergulham de cabeça na anomalia, conhecem um novo Exceed chamado Labi e descobrem uma conspiração ligada a dragões, com riscos elevados na medida certa e sem afogar o jogador em exposição excessiva. A chamada “maldição” do labirinto, que retira temporariamente a magia às personagens, é mais do que mero sabor narrativo, pois alimenta diretamente o Tomo da Recordação, o principal eixo de progressão e personalização do jogo.
É no combate que Fairy Tail Dungeons realmente se afirma. O jogador trabalha com uma economia de PA apertada, normalmente três pontos por turno, e o sucesso depende da correta sequência de cartas para ativar Cadeias Mágicas. O terreno é familiar para quem conhece Slay the Spire, mas a ênfase em sinergias específicas de cada personagem, bem como no uso estratégico de amuletos e encantamentos, confere-lhe uma identidade própria mais vincada. Na Switch, o mapeamento das cartas para os botões frontais revela-se uma escolha inteligente e tátil, mantendo os turnos rápidos, intuitivos e com pouca fricção.
A exploração equilibra risco e recompensa de forma deliberada e consistente. Cada passo aproxima o jogador de um chefe, obrigando a uma análise constante de custos e benefícios. A Lanterna de Labi acrescenta uma válvula de segurança engenhosa, enquanto os acampamentos e a Grelha de Habilidades aleatória oferecem controlo suficiente para mitigar o fator sorte sem o eliminar por completo. O fracasso pode significar reconstruir um Tomo desde o início, mas a curva de dificuldade, especialmente com o novo Modo Casual, é acessível e acolhedora, nunca verdadeiramente punitiva.
O lançamento na Switch, em janeiro de 2026, afirma-se como a versão definitiva, uma vez que o jogo tinha sido lançado originalmente em 2024 no PC. Esta edição inclui uma atualização substancial que adiciona 170 Cartas Mágicas, novos modos como Grand Clash e uma expansão do elenco que finalmente dá protagonismo a pesos-pesados como Laxus e Mirajane. A isto junta-se a banda sonora atmosférica de Hiroki Kikuta e uma pixel art limpa e expressiva que brilha particularmente no modo portátil, resultando num pacote sólido e muito bem acabado.
Em suma, Fairy Tail Dungeons não reinventa o género. Aperfeiçoa-o, personaliza-o e apresenta-o com uma confiança rara em adaptações de anime.
Nota: 8,5 / 10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





