Jogos: Dear Me, I was… – Análise
Dear Me, I was… é como receber uma carta de outros tempos, escrita devagar, à mão, e selada com cuidado.

Jogo: Dear Me, I Was…
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Arc System Works
Editora: Arc System Works

Criado por Taisuke Kanasaki, o nome por detrás de pequenas pérolas narrativas como Another Code e Hotel Dusk, este curto jogo interativo abdica da complexidade para nos oferecer algo mais raro: tempo e silêncio. Não é bem um jogo no sentido tradicional, mas sim uma experiência artística interativa.
Sem uma única linha de diálogo, seguimos a vida de uma mulher anónima, da infância à velhice, passando por momentos de alegria criativa, amizades, inseguranças e perdas silenciosas. Os temas são simples, próximos de nós, e nunca caem no exagero. Cabe ao jogador interpretar o que vê, tornando cada momento tão pessoal quanto universal.
Os cenários em aguarela e a animação rotoscópica dão-lhe um charme artesanal difícil de encontrar. O uso inteligente da cor acentua as emoções, tons quentes para a felicidade, cinzentos para a tristeza. Tudo isto é acompanhado por uma banda sonora suave ao piano, que embala sem nunca roubar protagonismo.
A jogabilidade é minimalista de propósito. Pequenos gestos de apontar e clicar, desenhar, beber chá, parar para olhar à volta, mantêm-nos no presente. Por vezes, a própria mecânica reflete o estado de espírito, nos momentos de maior peso emocional, são precisos mais cliques, como se sentíssemos o esforço da protagonista.
O ponto forte está na direção artística, na clareza emocional e na forma como nos toca sem dizer uma única palavra. Porém, a curta duração e a interatividade reduzida podem desapontar quem procure uma história mais longa ou um final mais “arrumado”. Há momentos que passam demasiado depressa, deixando vontade de ficar ali mais um pouco.
Ainda assim, Dear Me, I was… é um lembrete discreto mas poderoso de que os videojogos não têm de ser sempre sobre ação. Às vezes, basta que nos façam sentir. Num meio tão marcado pelo ruído e pela pressa, esta é uma pausa rara, e muito bem-vinda.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.



