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Jogos: Daemon X Machina: Titanic Scion – Análise

Daemon X Machina: Titanic Scion é uma sequela com combates mais rápidos, personalização e um mundo vazio arrastado por falhas técnicas.

Daemon X Machina: Titanic Scion

Jogo: Daemon X Machina: Titanic Scion
Disponível para: PC, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor:  FIRST STUDIO, Marvelous Inc.
Editora: Marvelous Europe

Daemon X Machina: Titanic Scion

Daemon X Machina regressa, mas desta vez o foco muda. Já não há os enormes mechs que pareciam fortalezas ambulantes. Em Titanic Scion, vestes “Exosuits” mais pequenas e elegantes, máquinas concebidas para a velocidade e precisão em vez da força bruta. Imagina a mobilidade de Anthem combinada com o poder de fogo de Armored Core, e ficas com uma boa ideia. É uma mudança radical, que torna o combate mais imediato e, nos seus melhores momentos, emocionante.

Voar por entre arranha-céus em ruínas com propulsores, desviar-te de saraivadas inimigas no ar e mergulhar de seguida para acabar com um alvo, é aquele tipo de fluxo que te agarra de imediato. O movimento é, sem dúvida, o ponto mais forte do jogo. E quando já estás habituado às acrobacias com jetpack, o jogo atira-te veículos terrestres e até cavalos alienígenas para variar. Uns são manhas divertidas, outros parecem pouco desenvolvidos, mas acrescentam variedade ao que, de outra forma, poderia tornar-se repetitivo.

Daemon X Machina: Titanic Scion

O combate em si é uma mistura. O ritmo é rápido, os sistemas são sólidos, mas os controlos, por vezes, parecem estar contra ti. “Desajeitado” é a palavra que vem à mente. Os comandos podem atrasar, os combos nem sempre resultam como planeado e o caos de vários inimigos em simultâneo muitas vezes afoga a precisão táctica. O sistema único de saque, escolher apenas um item de entre várias quedas, dá algum tempero. Obriga-te a pesar a progressão a longo prazo contra melhorias imediatas, o que é engenhoso em teoria e, por vezes, frustrante na prática.

A personalização, no entanto, é onde Titanic Scion mostra todo o seu poder. O teu Arsenal não é apenas um fato, é um parque de diversões de possibilidades. Cada braço pode ser armado separadamente, as montagens nos ombros abrem novas estratégias ofensivas e cada peça pode ser afinada com acessórios. Mas a verdadeira surpresa é o sistema de “Fusão”. Ao recolher material biológico dos Imortais derrotados, mutas o teu personagem, ganhando habilidades permanentes e até traços físicos grotescos, como asas ou máscaras. É estranho, é ousado e funciona. Só esta mecânica dá ao jogo um sabor único que o distingue dos rivais.

Daemon X Machina: Titanic Scion

A história, por outro lado, tem dificuldade em corresponder à ambição da jogabilidade. Situada séculos após o original, jogas como um “Outer” que se junta aos rebeldes conhecidos como Reclaimers na luta contra um regime militar opressor. Parece terreno fértil para drama, mas a execução é superficial. As personagens são pouco desenvolvidas, os diálogos soam apressados e os grandes momentos emocionais carecem de peso. O mundo aberto sofre do mesmo mal: grande, sim, mas também sem vida. Missões repetitivas, paisagens insípidas e inimigos copiados e colados roubam-lhe personalidade. Tens espaço para explorar, mas raramente um motivo para te importares.

O multijogador traz algum fôlego. A campanha completa pode ser jogada em cooperação, e a inclusão de jogo cruzado é uma vitória para a acessibilidade. As funcionalidades assíncronas, como contribuir para bases de abastecimento partilhadas, são pormenores pequenos, mas criam um sentido de comunidade. Jogar com amigos suaviza bastante a rotina, tornando as missões mais fracas mais fáceis de digerir.

E depois vem o maior espinho de Titanic Scion: a performance. Na Switch 2, o jogo muitas vezes parece estar a correr contra a maré. O alvo de 30fps raramente é estável, as quebras de frames são frequentes, soluços quebram o ritmo do combate e os tempos de carregamento arrastam-se. Para um jogo construído em torno da velocidade e fluidez, isto é mais do que um incómodo, é uma falha crítica.

Daemon X Machina: Titanic Scion

Então, qual é o veredito? Daemon X Machina: Titanic Scion é ambicioso, estranho e, por vezes, brilhante. O novo combate com Exosuits, o criativo sistema de Fusão e a sensação de movimento oferecem momentos de pura alegria. Mas esses pontos altos são pesados por uma história fraca, um mundo vazio e limitações técnicas frustrantes. É um jogo de ideias ousadas travado por uma execução trapalhona. Fãs de acção com mechs que consigam engolir os defeitos vão encontrar aqui muito para experimentar. Para os restantes, pode parecer apenas uma experiência arrojada que não aterra em pleno.

Nota: 6,5 / 10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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