Jogos: Console Archives – Cool Boarders – Análise
Revive Cool Boarders nas consolas modernas, um pioneiro do snowboard arcade regressa numa estreia divertida mas irregular da Console Archives.
Jogo: Console Archives – Cool Boarders
Disponível para: PlayStation 5, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Editora: HAMSTER Corporation
Com o arranque da linha Console Archives, ao lado de títulos como Ninja Gaiden II, a Hamster Corporation vira-se para Cool Boarders, lançado originalmente em 1996 pela UEP Systems na PlayStation. Agora disponível na Nintendo Switch 2 e PlayStation 5, esta reedição baseada na ROM japonesa, menus em inglês e ecrãs de ranking em japonês, surge como artefacto histórico e produto jogável.
Em termos mecânicos, estamos perante algo anterior a 1080° Snowboarding e muito antes da exuberância de SSX. O modelo físico é rígido, quase “pesado”, e o momentum é determinante. Perder velocidade numa zona plana torna a condução penosa, falhar um drift resulta frequentemente num ressalto contra rochas e paredes, como se o atleta fosse uma bola de flippers. O salto tem de ser carregado para influenciar a velocidade de rotação, as manobras exigem combinações com os botões de ombro no ar, e virar implica inputs deliberados em vez de reflexos imediatos. É desajeitado, sim, mas é um desajeitado com identidade. Na câmara em primeira pessoa, essa rigidez transforma-se em intensidade, na terceira pessoa, é uma luta constante contra a inércia.
O conteúdo é escasso. Três pistas principais, Novice, Advanced e Expert, podem ser vistas em cerca de quinze minutos. Não há modo carreira, não há adversários controlados por IA, nem multijogador local. Corre-se apenas contra o relógio e contra o próprio ghost data. Quando comparado com o polimento sistémico de Tony Hawk’s Pro Skater, a estrutura parece minimalista. A longevidade depende exclusivamente da obsessão por bater tempos.
O verdadeiro valor acrescentado vem do “invólucro” da Hamster. Os save states refinam o ciclo de prática, permitindo repetir secções exigentes sem reiniciar a corrida. A remapagem de botões é essencial, e as opções de filtro CRT e ajuste de formato de imagem oferecem alguma flexibilidade visual, embora sem qualquer upscaling, o que significa lidar com píxeis crus, jitter poligonal e pop-in evidente. É autêntico, por vezes demasiado autêntico.
A banda sonora respira anos 90, mesmo que o comentador, repetitivo e algo irritante, teste a paciência. Ainda assim, há carisma nesse ruído. Cool Boarders não é fluido nem generoso em conteúdo, mas como peça de museu jogável, pensada para sessões curtas, justifica a revisita.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





