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Jogos: Code Vein 2 – Análise

Code Vein 2 aperfeiçoa a fórmula do “Soulslike confortável”, combinando a parte emocional de um JRPG, com grande flexibilidade de classes e um vasto mundo aberto que brinca com o tempo.

Code Vein 2

Jogo: Code Vein 2
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Bandai Namco Studios Inc.
Editora: Bandai Namco Entertainment Inc.

Code Vein 2
Code Vein 2 dá a sensação de a Bandai Namco apostar ainda mais numa identidade que já era invulgar no primeiro jogo: um Soulslike menos interessado em punir o jogador e mais focado na continuidade emocional, numa narrativa centrada nas personagens e em sistemas de RPG flexíveis. Continua a carregar a alcunha de “Dark Souls para weebs”, mas esta sequela expande a fórmula para algo mais amplo e confiante. A transição de uma exploração baseada em corredores para uma estrutura de mundo semiaberto altera drasticamente o ritmo, tornando a experiência menos opressiva e mais aventureira, sem abandonar a tensão que define o género.

A história decorre cem anos após uma catástrofe chamada The Resurgence, num mundo onde os Revenants lutam para manter a sua humanidade enquanto a Luna Rapacis ameaça transformá-los em Horrors. O jogador assume o papel de um Revenant Hunter acompanhado por Lou, uma companheira viajante no tempo cujo arco emocional se torna a espinha dorsal narrativa do jogo. A mecânica de viagem temporal não é apenas um elemento narrativo decorativo; está integrada na progressão. Viajar ao passado para interagir com heróis lendários e alterar os seus destinos transforma diretamente o presente em ruínas. Trata-se de um recurso narrativo clássico de JRPG executado com clareza cinematográfica, em vez de uma exposição críptica de lore, e essa clareza joga a favor do jogo.

Lou destaca-se como um dos elementos mais fortes da sequela. A sua transformação de instrumento distante em protagonista confiante dá peso à história, enquanto personagens como Lavinia Voda, a imponente mas compassiva líder de MagMell, e Zenon Gryfgote, o excêntrico cientista blindado com um capacete EDM luminoso, acrescentam personalidade e contraste tonal. A escrita apoia-se fortemente em temas de redenção e companheirismo e, embora por vezes previsível, mantém sinceridade suficiente para funcionar emocionalmente.

Code Vein 2

A exploração é onde Code Vein 2 revela a sua maior ambição estrutural. O design do mundo em duas linhas temporais cria um ciclo de interação entre passado e presente que torna a deslocação mais intencional. Destruir obstáculos ambientais no passado para abrir caminhos no presente é satisfatório do ponto de vista sistémico, mesmo que a verticalidade do mapa principal possa ser desorientadora. Os Mistles regressam como pontos de controlo, e o sistema de deslocação de mota, embora conceptualmente empolgante, por vezes revela falta de precisão no controlo. A ausência de um minimapa transforma ocasionalmente a navegação num exercício de tentativa e erro, interrompendo o ritmo de jogo, de resto consistente.

O combate continua a ser o núcleo mecânico e mantém-se assente na gestão de stamina, no timing deliberado e no posicionamento de risco-recompensa. O sistema de Partner suaviza de forma fundamental a curva de dificuldade típica dos Soulslike sem trivializar os confrontos. Companheiros controlados por IA conseguem atrair a agressividade dos inimigos, causar dano relevante e até reanimar o jogador após a morte, criando uma rede de segurança que torna a experimentação menos intimidante. Esta opção de design torna Code Vein 2 particularmente acessível para novos jogadores, mantendo ainda assim profundidade tática.

A variedade de armas é sólida, misturando opções pesadas já conhecidas, como martelos e alabardas, com ferramentas mais rápidas, como lâminas duplas e rune blades. O sistema de recursos Ichor continua a definir a economia de combate, especialmente quando combinado com a mecânica Jail, que permite drenar energia dos inimigos através de armas semelhantes a apêndices monstruosos. As novas habilidades Formae acrescentam espetáculo e utilidade, funcionando como técnicas de grande impacto que podem ser ofensivas, defensivas ou de invocação. As batalhas tendem a ser dramáticas sem se tornarem caóticas, um equilíbrio delicado para um RPG de ação híbrido.

Code Vein 2

O sistema Blood Code continua a ser uma das mecânicas de RPG mais inteligentes do jogo. Em vez de prender o jogador a uma classe fixa, Code Vein 2 trata as builds como configurações modulares que podem ser trocadas a qualquer momento. Dominar habilidades e extrair Boosters incentiva a experimentação, e o sistema recompensa a curiosidade em vez de punir erros. Em conjunto com o robusto criador de personagens pelo qual a série é conhecida, o jogo mantém um forte sentido de expressão do jogador.

Tecnicamente, a experiência é irregular. Quebras de desempenho e pop-in ambiental ocasionalmente quebram a imersão, sobretudo em áreas exteriores amplas. O comportamento da câmara em arenas confinadas pode ser frustrante durante encontros com bosses de grandes dimensões. A variedade de inimigos fora dos combates principais é limitada, com inimigos comuns a repetirem-se frequentemente, embora o design dos bosses permaneça memorável tanto visual como mecanicamente.

Apesar destas falhas, Code Vein 2 resulta porque compreende o seu público. Não tenta ser mais punitivo do que os Soulslike tradicionais nem competir em escala com RPGs massivos de mundo aberto. Em vez disso, aposta na acessibilidade, numa narrativa centrada nas personagens e em sistemas de combate flexíveis. O resultado é um jogo que consegue ser confortável, dramático e mecanicamente envolvente ao mesmo tempo, confortável, mas não superficial; dramático, mas não esmagador.

Code Vein 2

Em conclusão, Code Vein 2 parece menos uma experiência de género e mais um RPG híbrido confiante que sabe exatamente o que quer ser.

Nota: 7/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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