Cinema: Crítica – Yesterday (2019)

Juntar dois dos cineastas britânicos mais importantes da actualidade é tarefa fácil. De um lado está Danny Boyle, um realizador cujo trabalho dispensa apresentações, já tendo mostrado o seu talento inato numa multitude de géneros, frequentemente marcando a forma como vemos cinema. Do outro, Richard Curtis, um argumentista com um reportório de narrativas que nos deixam sonhar por um amor maior, com diálogos divertidos e inteligentes. O facto de os dois se juntarem para trazer ao mundo Yesterday deveria ser sinónimo de algo garantidamente bom, mas rapidamente se torna numa lição em gestão de expectativas.

Jack Malik (Himesh Patel) é um aspirante músico em busca de uma oportunidade para mostrar aquilo que realmente vale, mas vai-se contentando com o seu pequeno grupo de amigos fãs, incluindo a sua manager Ellie (Lily James). Isto até ao dia ocorre uma anomalia global e Jack é atropelado por um autocarro. Quando acorda, o mesmo apercebe-se que os Beatles nunca existiram, começando uma jornada de apropriação musical onde Jack passa a ser o autor das músicas dos famous four de Liverpool.

O primeiro passo para a fama é quando Ed Sheeran contacta-o para que abra os seus concertos numa tournée mundial, sendo esse o catalisador para um conjunto de acontecimentos que nos mostram um mundo paralelo muito bizarro.

Longe de toda a temática da ficção científica, Yesterday foca-se na fórmula tradicional duma comédia-romântica-dramática bem disposta, onde um zé-ninguém vê-se numa posição muito particular para subir ao estrelato, naturalmente perdendo a sua alma pouco a pouco, quando percebe que se calhar deveria ter tido mais cuidado com aquilo que desejasse.

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Era esperado que dois titãs do cinema britânico trazerem os seus pontos mais fortes, com o estilo particular de Boyle a mostrar um outra visão de o que são as comédias românticas, com um humor mais apurado ao qual Curtis já nos habituou. Mas na verdade ambos parecem nem andar a meio-gás, algo que se torna extremamente frustrante, pois sabemos perfeitamente o que ambos são capazes de fazer. Felizmente Patel e James fazem um par giro, com Ed Sheeran a ser talvez a cereja dum bolo meio cozido.

Parece existir uma tendência cinematográfica em trazer de volta as memórias ou homenagens de artistas consagrados, em forma de biopics dramáticos, como Bohemian Rhapsody (Queen) e Rocketman (Elton John) ou novas histórias que são movidas à base desses mesmos artistas, como é o caso deste Yesterday e será mais tarde em Blinded By The Light – O Poder da Música (Bruce Springsteen). O que todos têm em comum, menos este último que ainda se está para ver, é serem obras medíocres, cujas intenções aparentam ser secundárias, motivado pela nostalgia e lidar a mais ouvintes aos serviços de streaming de música.

É por isso que sentimos na pele que Yesterday foi uma oportunidade desperdiçada, com poucos momentos interessantes de uma história com grande potencial,  provando que mesmo juntando os melhores dos melhores do seu género, as coisas podem dar para o torto, e rápido.

  • Yesterday estreou a 27 de junho nos cinemas

Nota Final: 4/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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