Cinema: Crítica – Vox Lux (2018)

Muitos foram os filmes que retrataram da sua própria forma a ideia do que se passa nos bastidores dos nossos artistas favoritos, sem estarem directamente relacionados, desde o clássico Quase Famosos de Cameron Crowe, inspirados nos seus textos para a Rolling Stone a biopics como Control, sobre Ian Curtis, cantor dos Joy Division; ou até a paródia de Andy Samberg, Popstar: Sem Parar, Sem Limites, que, apesar do seu tom cómico, reflecte algo muito real.

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É por isso que a mais recente obra escrita e realizada por Brady Corbet, Vox Lux, abre um caminho relativamente novo no que toca a mostrar a vida duma super estrela. Excepto que não é de forma absolutamente nenhuma um filme para toda a família.

A abrir com uma narração por Willem Dafoe, seguimos a vida de Celeste (Raffey Cassidy), uma jovem cuja história começa em 1999, com um tiroteio escolar semelhante ao de Colombine no mesmo ano, onde um jovem abriu fogo aos seus colegas. Celeste sobreviveu com estilhaços na coluna, tendo depois composto com a sua irmã, Eleanor (Stacy Martin), um música que acabaria por ser o hino duma nação em luto. Vemos as irmãs a iniciarem a sua carreira no mundo do entretenimento, passando pelas mãos dum manager sem nome (Jude Law), mas muito presente, onde Celeste passa a ser o centro das atenções.

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Agora com 31 anos, Celeste (Natalie Portman) é uma mega-estrela mundial a lidar com as pressões de ser aquilo que o mundo quer que ela seja: uma inspiração permanente para a vida dos seus eternos fãs. Celeste também tem agora uma filha adolescente e muitas situações a pesarem nos seus ombros.

Desde o primeiro segundo apercebemo-nos que isto não é um filme que vai ser contado de forma tradicional, muito menos uma realidade polida ou politicamente correcta para agradar aqueles que têm uma ideia glamorosa da vida de uma estrela de pop. Enquanto que a história esteja segmentada para destacar os pontos-chave de Celeste, vamos conhecendo aos poucos a vida de alguém destinado para ficar na história – mesmo que isso signifique cantar em playback tal como as cantoras de pop.

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O facto de termos um elenco limitado a essencialmente quatro actores, em momento nenhum perdemos o foco da importância de Celeste, que afinal, é o centro do mundo, tanto nosso, como de toda a gente; onde Natalie Portman faz o que é capaz para ser outro papel da sua vida, ao lado de Perto Demais, mostrando uma faceta imprudente repleta de drogas e drama. Por outro lado, Jude Law aparenta ser mais velho do que parece, sendo inicialmente uma figura paternal para no fim ser um facilitador para os maus caminhos de Celeste.

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Atrás da câmara, Brady Corbet oferece um mundo paralelo, onde a tragédia e o seu contra-balanço para atenuar e distrair da dor dos actos cruéis, perpetrados por pessoas sem escrúpulos, numa visão fria e muito objectiva dentro de uma narrativa sobre uma pessoa que só quis mudar o mundo. Quando não estamos a viver os dramas pessoais das personagens, estamos a apreciar a arquitectura de Nova Iorque ou a performance em palco de Natalie Portman, com uma produção de alto nível.

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No fim, Vox Lux revela ser uma obra sobre o retrato do século XXI, onde veneramos pessoas que nunca conhecemos num mundo virtual, onde as aparências escondem uma vida muito diferente da realidade. Sempre me disseram que podem tirar uma pessoa de Staten Island, mas nunca podem tirar Staten Island duma pessoa. Nunca acreditei nisso até agora.

Nota Final: 8/10

Vox Lux tem estreia agendada para dia 10 de janeiro 2019 em Portugal

Ricardo Du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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