Cinema: Análise – Só Te Vejo a Ti (2018)

Esta Primavera traz-nos o novo filme de Marc Forster ( “À Procura da Terra do Nunca” e “Monster´s Ball – Depois do Ódio”), intitulado “Só te Vejo a Ti”, que marca o regresso do realizador a um território de drama depois de se aventurar num mundo apocalíptico em “World War Z”.

Só te Vejo a Ti“Só te Vejo a Ti” conta-nos a história de Gina ( Blake Lively) que fica cega devido a um acidente rodoviário enquanto adolescente. Anos mais tarde, após uma operação para recuperar a visão, a protagonista apercebe-se que existem situações na sua vida sobre as quais não está satisfeita, principalmente a sua relação amorosa com James (Jason Clarke). Assim, a personagem inicia-se numa viagem de reviravolta pessoal, enquanto que terá de lidar com obstáculos que se colocarão no seu caminho, especialmente os ciúmes de James.

De um modo mais geral, o melhor que este filme tem para nos apresentar é a sua beleza visual, em termos de cinematografia, e as próprias performances dos actores envolvidos.

Visualmente, Marc Forster já nos habituou com uma visão muito própria, sabendo quando nos deve maravilhar com uma visão ampla para nos envolver no espaço da história ou quando deve tornar a audiência íntima com uma personagem através de um close up. Forster consegue transmitir a história de um modo visual, intercalando momentos inovadores (como a forma como consegue transmitir a cegueira da protagonista) com momentos de storytelling com um padrão mais comum, mas com a mesma a ser feita de forma exímia pelos actores.

Só te Vejo a TiFalar de “Só te Vejo a Ti” sem falar das performances não seria totalmente justo. Blake Lively apresenta, com grande probabilidade, a sua melhor prestação até ao momento. Porém, quem se destaca é, sem dúvida, Jason Clarke. A sua prestação enquanto companheiro de Gina é incrível – oferece-nos uma personagem completa que se equilibra entre ser o marido carinhoso e o marido ciumento, entre ser a presa e o predador, que nos prende e nos faz questionar o que poderá acontecer a seguir.

Porém, “Só te Vejo a Ti” parece um projecto com uma excelente ideia inicial, mas que descamba à medida que o filme progride. O filme é constantemente inconstante entre o drama e o clima de mistério que pretende apresentar, nunca chegando a apresentar um tom seguro. E, ao chegar cada vez mais perto da conclusão, deixa muitas questões por responder, dando a sensação de que foi drasticamente editado e que o realizador não sabia como queria terminar a história.

Só te Vejo a TiComo metáfora, imaginem que este filme é um teste no qual Forster começa a responder tudo certinho e direitinho. Contudo, o tempo esgota-se e o realizador vê-se com a responsabilidade de terminar o teste dentro do limite. Assim, apressa as suas respostas e, muitas das vezes, não acerta nos pontos aos quais necessitaria de responder para ser bem sucedido no teste.

Em conclusão, “Só te Vejo a Ti” é um filme onde se nota um processo de dedicação, porém, apesar dos fatores positivos já apresentados, a instabilidade do tom do filme não consegue manter o mesmo em rumo certo e a sua conclusão pouco conclusiva poderá deixar um sabor amargo nos espectadores.

It just feels I knew everything… and now I don´t

3 / 5

João Borrega

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