Cinema: Crítica – A Possessão de Hannah Grace (2019)

A paranormalidade chegou a esta morgue. A Possessão de Hannah Grace parece ter tudo o que necessita para ser o ideal filme de terror, ou será que não?

Hanna Grace (Kirby Johnson) é alvo de um violento exorcismo e o seu pai é forçado a assassiná-la para que possa descansar em paz. Meses depois, é enviada para a morgue onde conhecemos a protagonista, Megan Reede (Shay Mitchell), uma ex-polícia que agora trata dos cadáveres no turno da noite. Ao receber Hannah, com um corpo desconfigurado, faz o seu trabalho habitual como tirar algumas fotografias, no entanto, a máquina tem uma reação anormal. Megan vai-se apercebendo que algo de paranormal se passa com este corpo à medida que lhe surgem visões bizarras.

Um filme em que o seu cenário é essencialmente acerca da morte tem tudo para correr bem no género de terror, ou será que não? A Possessão de Hannah Grace mostra-nos imediatamente que estamos a liderar com o tema da possessão, o que por um lado deixa o espetador ciente do que vai decorrer, no entanto, tira completamente o mistério envolvente com a personagem principal que possui problemas psicológicos. Haveria aqui uma ótima oportunidade de jogar com a estabilidade mental da protagonista e com o modo como o espetador acreditaria na realidade da ação. Contudo, com um exorcismo no início sabemos de imediato que a paranormalidade a decorrer é real.

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Esquecendo o que poderia ser e focando-nos no próprio enredo, Megan é uma pessoa instável que vai ganhando confiança consigo mesma e terá de mostrar do que é capaz. Todavia, é bastante difícil conectarmo-nos com a mesma devido ao argumento pouco original e ao pouco carisma que a atriz apresenta. Além disto, as suas ações são bastante previsíveis e o que salva a intensidade às cenas é o décor situado numa morgue à noite, na qual existe um elevador e corredores longos e escuros que possibilitam um jogo de luz na cinematografia.

Deste modo, vão surgindo várias personagens na narrativa, incluindo a atriz Stana Katic (Castle), que têm somente dois propósitos, dar mais alguma informação acerca da protagonista, seja na sua personalidade e passado, ou morrer e fornecer-nos cenas de suspense cujas possuem uma música e tom da fotografia que antecipam em demasia o que vai correr e arruínam a previsibilidade da história. Contudo, existem algumas qualidades a realçar, tais como o realismo dos corpos da morgue, o trabalho de maquilhagem, por vezes a fotografia e luz, as referências ao clássico O Exorcista (1973) e, por fim, os olhos absorventes e fascinantes da possuída, Hannah.

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Contudo, ao invés de desenvolver personagens mais credíveis, não passa de um filme aborrecido com alguns momentos de suspense em que no final recorre a uma conclusão aberta sem sequer concluir as premissas ou explicações anteriores. As comparações com o filme A Autópsia de Jane Doe (2016) são inevitáveis, cujo apresenta a mesma premissa, mas bastante melhor executada.

  • A Possessão de Hannah Grace estreou a 7 de janeiro 2019 nos cinemas.

2/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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