Cinema: Crítica – O Caso DeLorean (2019)

Todos conhecemos a loucura que eram os anos ’80 nos Estados Unidos, uma era dominada pela droga e uma América subjugada pela sua economia automóvel. Mas no meio disto, há uma história que se destaca e que é desvendada no grande ecrã, com a ascensão e queda de John DeLorean, no mais recente thriller cómico O Caso DeLorean, realizado por Nick Hamm.

O caso remonta nos inícios dos anos 1980, onde John DeLorean (Lee Pace) teria deixado de lado a sua carreira como designer para as grande fabricantes Ford e General Motors para perseguir o sonho de criar um carro com o seu nome, o icónico DMC-12, que mais tarde viria a ser conhecido como o carro inesquecível da trilogia Regresso ao Futuro. Mas a sua amizade com o ex-vigarista tornado informador do FBI, Jim Hoffman (Jason Sudekis), meteu-o num caminho menos benéfico, prosseguindo para um mundo de tráfico de drogas e fraude, com ajuda do Agente Especial Benedict Tisa (Corey Stoll)

Como em todos os casos em filmes baseados em eventos reais, há que distinguir o que é verdadeiramente real do que é ajustado para efeitos dramáticos, ainda mais numa história com contornos quase excêntricos como este. Felizmente, não existe nada excessivamente exagerado ou alterado, fora algumas situações pontuais, mas nada que altere, por completo, a percepção da história.

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Por outro lado, O Caso DeLorean não é um filme particularmente excitante ou muito interessante, visto que o foco está na amizade entre John e Jim, e no desespero de cumprir o derradeiro sonho que é construir um carro único e acessível. Mas problemas no fabrico dos primeiros modelos, juntamente com as acusações de tráfico de droga, ditaram um futuro sem rendimento suficiente para manter o sonho activo.

No entanto, Jason Sudekis mostra que está completamente à vontade em papéis um bocadinho mais sérios, mantendo sempre o seu esperado tom casual e leve, mesmo em situações mais perigosas; enquanto que Lee Pace encara de modo carismático as maneiras de John DeLorean, sempre generoso quanto visionário, com uma ambição comparável a de Steve Jobs ou Bill Gates.

No fim, O Caso DeLorean é uma comédia dramática que permite observar de perto como uma amizade baseada na confiança pode azedar quando as circunstâncias apontam para o pior cenário.. Infelizmente, esta não é mais que uma obra de puro entretenimento, deixando um sabor agridoce, sobretudo quando o documentário Framing John DeLorean, que mistura momentos reais e recriações ficcionais, faz um tremendo trabalho em contar a história toda de uma forma muito mais cativante.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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