Cinema: Crítica – O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña

Já durante muitos anos, o cinema espanhol tem oferecido propostas de grande interesse e entretenimento, algo que tem vindo a ser mais aparente com a estreia de muitos filmes nas nossas salas. O terror, este género que tem talvez um grupo forte de fãs, sabe que da a sua variante espanhola tem um sabor diferente; e eis que aparece O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña, realizado por Albert Pintó e inspirado por uma história verdadeira que decorreu num dos bairros mais emblemáticos de Madrid.

O ano é 1976 e durante o que é chamada a transição espanhola, uma família do campo decide mudar-se para a cidade para uma vida melhor, esta percebe que a casa tem alguns problemas sérios de assombramento, com uma figura idosa e aterrorizar os novos habitantes, de forma a arruinar as suas sanidades mentais e emocionais, como nunca antes viram.

O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña

Estabelecendo a localização para o que será agora uma paragem obrigatória para qualquer fã de terror que visite Madrid (ver Curiosidade), estamos perante um filme que contém todos os elementos clássicos de uma casa assombrada, utilizando e muito bem, todas as suas cartas tradicionais esperadas do género. O facto de o mesmo decorrer durante a década de ’70, permite que haja tecnologia básica suficiente para oferecer grandes sustos, muitos deles que certamente irão deixar pele de galinha nos espectadores mais susceptíveis aos sustos.

O seu tom acerta, em grande parte, no alvo certeiro, com uma mistura de jump-scares e cenas cuidadosamente desenvolvidas para maximizar o medo, como uma onde a televisão é utilizada com o veículo para causar grandes transtornos, e que funciona de forma muito eficaz. Do mesmo lado, o foco no elemento familiar e o seu status socioeconómico, permitindo que o terror seja sentido mais próximo de nós, da qual é importante destacar Begoña Vargas, no papel de Amparo, que quem mais no convence da realidade que o filme impõe.

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O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña

É igualmente aparente que houve um esforço na resolução de alguns do problemas de narrativa que o filme cria, introduzindo uma força externa para a sua resolução. Infelizmente, essa abordagem acaba por se sentir sentir um pouco fora do contexto que o este até aquele momento estabelece, e uma explicação para o assombramento que não tem tanto impacto quanto que intende.

Assim, O 3º Andar: Terror na Rua Malasaña pode não introduzir nada de inteiramente novo num género com fãs repletos de paixão, mas que é sólido o suficiente para fazer dos clichés habituais algo surpreendente, capaz de cortar a respiração e fazer-nos tapar os olhos, de vez em quando.

Nota Final: 7/10

Curiosidade: O edifício retratado no filme não fica na Rua Malasaña, localizando este na rua San Bernardino nº3, também conhecido pelo Edifício Montano e por ser onde se fabricava e vendia pianos da marca Vicente Montano, sendo que a fábrica e o grande salão não aparecem no filme. Hoje, o mesmo é utilizado como uma pequena sala de espectáculos, onde podem assistir a recitais e audições musicais. 


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Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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