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Cinema: Crítica – Não Olhes (2018)

Nos últimos anos, a definição de cinema de terror tem sido um termo guarda-chuva, onde existem filmes que mais ou menos vão de encontro a um género que tem cativado diversos públicos diferentes. Não Olhes estreia a 13 de dezembro nos cinemas.

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É uma evolução bem-vinda, mas que muitos cineastas, numa tentativa de agradar a todos, acabam por trazer algo que não agrada nem a gregos nem a troianos. É o caso da mais recente obra do israelita Assaf Bernstein, Não Olhes.

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Maria (India Eisley) é uma rapariga que não se está a integrar bem no espaço escolar. É praticamente invisível para muitos, excepto quando é vítima de bullying. O pai (Jason Issacs), cirurgião plástico, está mais preocupado nas aparências e a mãe (Mira Sorvino) não é mais que uma mulher submissa às ordens do seu marido.

Mas neste mundo, existe algo para além do reflexo do espelho. Algo que se parece a Maria mas capaz de bater o pé e dizer aquilo que Maria realmente pensa. É assim que ela, juntamente com esta entidade que se dá pelo nome Airam, prometem corrigir os males que as atormenta, em busca duma vida melhor.

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Considerando o argumento algo caótico, é incrível como India Eisley foi capaz de se manter despercebida no grande ecrã, já que a jovem talento encara a dualidade das suas personagens quase na perfeição. Existe este equilíbrio central, onde todas as acções têm consequências minimamente plausíveis, ainda que muitas das vezes deixa-se ficar em modo passivo, criando momentos que acabam por se tornar menos inspirados do que aquilo que se gostaria de ver.

Tudo isto acontece devido a narrativa sombria, que leva demasiado a sério as suas próprias regras, mesmo quando existem momentos dúbios onde estas são quebradas em função de provar o quão longe o filme é capaz de ir. Infelizmente, fica frequentemente aquém das expectativas que o próprio parece querer passar.

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Apesar de existirem diversas falhas no ritmo do filme, sobretudo na forma que o filme contém a compreensível raiva interior de Maria e Airam, há aqui boas ideias cujos conceitos funcionam bem. O problema surge na falta de se relacionar com o espectador o quanto antes, para que as suas acções vingativas tenham um impacto mais forte. Neste caso, é difícil torcermos por uma personagem com a qual não conseguimos simpatizar, mesmo tendo tudo para ganhar a nossa razão.

Assim, Não Olhes é passível de ser uma obra que aborda o conceito da dualidade de forma interessante, ainda que são poucas as vezes que o faz com qualidade, e é capaz de deixar um sabor amargo a quem procura um filme mais focado nas suas intenções.

Já agora, deve ser muito frustrante quando de repente o espelho deixa de colaborar com o nosso reflexo…

  • Não Olhes estreia a 13 de dezembro nos cinemas

Nota Final: 4/10

Ricardo Du Toit

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