Cinema: Crítica – Greta – Viúva Solitária (2019)

Em 1994, Neil Jordan fez furor entre os adolescentes ao meter Tom Cruise a contracenar com Brad Pitt em Entrevista com o Vampiro, tornando-se num dos cineastas pelo qual deveríamos prestar mais atenção nos anos ’90.

Na verdade, desde então não conseguiu repetir o sucesso que o seu filme de vampiros, mas abordou a violência duma forma crua em A Estranha em Mim e regressou aos ambientes obscuros no fantástico Byzantium. Agora, Jordan regressa com um conto ao bom estilo Hitchcock-iano com Greta – Viúva Solitária.

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Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem que está a tentar criar uma vida em Nova Iorque, juntamente com a sua melhor amiga Erica (Maika Monroe), após o falecimento da sua mãe. A sua vida dá uma reviravolta quando encontra uma mala abandonada no metro e decide ir devolver ao seu dono, conhecendo Greta (Isabelle Huppert), uma víuva cujas boas intenções vão para além do que aparentam.

O que primeiro parece ser um melodrama comum, rapidamente se torna num thriller mais ou menos assustador, nem que seja pela obsessão que Greta cria por Frances, ultrapassando vários limites do que é considerado razoável. Esta perseguição é o que mais move o filme, mas infelizmente nem sempre por bons caminhos.

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Somos confrontados com uma situação mais plausível do que gostaríamos no mundo de hoje, onde as consequências da bondade são demonstradas com cenários não tão extremos. Afinal, Greta quer, e muito, ser amiga de Frances a todo o custo, nem que isso lhe arruíne a vida. Mas existe uma introspecção q.b. que nos força a pensar o que faríamos na mesma situação, desafiando muita a lógica por trás dum argumento frequentemente confuso e pela forma como coloca obstáculos desnecessários que criam mais problemas que soluções, onde Frances é incapaz de ser mais que uma mera vítima.

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É na vitimização da sua personagem principal onde reside o maior problema de Greta – Viúva Solitária, já que oportunidades não lhe faltam para dar a volta à sua situação terrível, sendo nós espectadores vítimas da falta de senso comum da narrativa.

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Não que tudo seja tão mau quanto isso, este jogo do rato e do gato proporciona alguns momentos psicologicamente assustadores, ainda que desnecessários, que definem o tom que acompanha o crescendo até ao derradeiro – e previsível – clímax.

Com isto, Greta – Viúva Solitária agarra nas suas inspirações violentas e aplica-as numa narrativa onde as personagens servem apenas o argumento e pouco mais.

Considerando que Moretz e Huppert são veteranas em cada uma das suas eras, seria de esperar mais das suas prestações, que aqui ficam diluídas a apenas peões do argumentista. Não foi desta que Neil Jordan voltou a fazer um clássico intemporal e a este andar, as coisas ficam difíceis.

  • Greta – Viúva Solitária estreou a 11 de abril nos cinemas

Nota Final: 3/10

Ricardo du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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