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Crítica BD – “A Raposa e o Pequeno Tanuki”

Esta série de manga é publicada pela editora japonesa Mag Garden desde 15 de julho de 2018 na sua revista Gekkan Comic Avarus e no seu site MAGCOMI. Tem vindo a ser reunida em volumes, contando, de momento, com quatro livros publicados no Japão.

Chega agora a Portugal pela editora Midori, disponível no site da mesma e nas livrarias nacionais.

Quanto ao plot desta ternurenta história, posso dizer que se trata de uma iniciação à mitologia japonesa, com os seus símbolos e respetivos agentes sociais.

Trata-se de um argumento com um forte teor educacional e senso de justiça, revelando que os opostos se atraem, não apenas pela diferença, mas simultaneamente pelos valores e direitos comuns.

Nesta obra, depois de 300 anos, os deuses que aprisionaram Senzō, a suposta raposa malévola e arrogante, cujas únicas ambições residiam no poder e ascensão pessoal, decidem libertá-la… No entanto, com algumas condições, ele não terá acesso às suas habilidades fantásticas até que consiga ajudar completamente uma cria Tanuki, que merece especial atenção pelas suas sensibilidades mágicas.

Mais do que babysitting, esta é uma trama que expira amizade, confiança e independência, destruindo rótulos e desbravando oportunidades.

Os deuses concedem aptidões a estas criaturas, desde cedo, considerando que cada uma delas terá um caminho a percorrer, tortuoso, nem sempre puro, nem sempre impuro… Este livro é um desafio à vida, Mi Tagawa, a autora, define claramente que para se ser livre, tem que se falhar.

A arte desta peça é lindíssima, revela-se um desenho com detalhe, preocupado e esclarecedor, são ilustrações imersivas, com algumas alusões ao cartoon. O design das personagens é também excelente, entre a fofura e a rebeldia, em sintonia com a evolução deste primeiro livro.

Para lá destas dinâmicas, achamos, igualmente, temas fortes, são eles referências à morte, ao abandono, à solidão e ao desprezo comunitário. Felizmente, estes acontecimentos vêm-se, logo de seguida, acompanhados por tiras humorísticas e momentos de energia moral familiar.

Entre ressentimentos, memórias e descobertas, a raposa zangada e a Tanuki brincalhona não poderiam emadurecer uma sem a outra. À medida que vão resolvendo os casos deste volume um, entendemos o privilégio que é ler, ver e sentir um par, de mundos aparentemente distintos, de ideais contrários… Nasceram separados, mas vivem juntos. Eis a parábola da amizade.

Mi Tagawa é uma mangaka japonesa com vários livros publicados: Chichikogusa (ちちこぐさ) e Mugi no Mahoutsukai (麦の魔法使い).
A Raposa e o Pequeno Tanuki (Korisenman) é a obra com maior destaque internacional, com traduções em várias línguas.

Autora: Mi Tagawa
Ilustração: Mi Tagawa
Género:
Manga, Fantasia 
Editora:
Midori                                                                                    Argumento: 8
Arte: 9
Legendagem: 8
Veredito final: 8

 

 

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