Cinema: Crítica – Annabelle 3 – O Regresso a Casa (2019)

Annabelle está de regresso para atormentar a filha dos Warren. Será ela capaz de se desenvencilhar com as suas amigas?

Annabelle 3: O Regresso a Casa demonstra-nos a chegada da boneca maquiavélica à casa dos Warren, o casal investigador de atividade paranormal. Fechada numa vitrine de vidro de uma antiga Igreja, o mal está finalmente contido.  1 ano mais tarde, os Warren vão numa missão, deixando a sua filha, Judy (Mckenna Grace), em casa com a babysitter Mary (Madison Iseman) que decide fazer uma festa de anos antecipada.

A sua rebelde amiga, Daniela (Katie Sarife), junta-se à festa com a intenção de espreitar o quarto secreto onde os Warren guardam os objetos malignos. Daniela duvida da veracidade do mundo sobrenatural, no entanto, motivada para contactar o seu falecido pai acaba por libertar a maioria das maldições deste quarto e a comandante delas todas, Annabelle.

É de facto uma premissa bastante simples e são vários os momentos em que a personagem de Daniela nos faz revirar os olhos devido à previsibilidade das suas ações ou extrema rebeldia adolescente nas mesmas. Por outro lado, a babysitter  Mary também não traz muita originalidade ao argumento, sendo que uma das suas motivações é a paixão que sente por Bob, cujo tem uma interpretação bastante medíocre em que desejamos que seja apanhado rapidamente por uma das maldições. Todavia, Mary também é o fio condutor de autoestima para a jovem protagonista Judy, que é maltratada diariamente pelo seus colegas de escola.

 

 

Contudo, é Judy, a filha dos Warren, que consegue manter a nossa atenção no filme pela sua perspicácia pelo mundo sobrenatural e ao contacto diário que tem com um mundo pelo qual não pretende fazer parte, mas foi imposta a pertencer. Os seus poderes são bastante semelhantes à sua mãe pelo que possibilita a continuação do franchise por uns longos anos. Além disto, o que torna esta narrativa divertida são os vários elementos sombrios da sala secreta com que nos vamos deparando. Nem todos funcionam, mas possuem o seu nível de mistério e fascinação para além de serem rápidos e mostrarem uma variedade de maldições desconhecidas.

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Deste modo, a partir de Annabelle passamos a conhecer novas identidades que já existiam na sala secreta, como um lobisomem fantasmagórico, um barqueiro que leva as almas das pessoas, uma noiva assassina, um samurai mortífero, entre outros objetos sombrios.

Por outro lado, isto é também uma desvantagem. Acabamos por não nos focar num objeto específico como a Annabelle ou outra maldição e torna-se frustrante haver constantemente um corte nas cenas de suspense que acabam por não dar em nada. As raparigas estão constantemente a deparar-se com um ser maligno em que o nível de perigo vai aumentando, mas o constante cliffhanger arruína a experiência e a autenticidade das identidades.

Contudo, o filme resulta pelo afeto emocional que demonstra pela sua protagonista jovem que procura ser uma criança normal. Além disto, o trabalho de direção de fotografia de Michael Burgess e a estreia do realizador Gary Dauberman são bons o suficiente para nos manter presos do início ao fim, pecando somente na previsibilidade da narrativa.

  • Annabelle 3: O Regresso a Casa estreou a 27 de junho nos cinemas.

6/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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