Cinema: Crítica – A Good Woman Is Hard to Find (2019)

Abner Pastoll não é estranho em mostrar personagens principais femininas fortes, e no seu mais recente filme, A Good Woman Is Hard To Find, apresenta-nos o que acontece quando testam uma mulher até ao limite.

Sarah (Sarah Bolger) é uma viúva com dois filhos, a tentar sobreviver o dia-a-dia sozinha, com o mínimos de apoios. Um dia, Tito (Andrew Simpson), um traficante de droga, decide roubar de um gangue, e foge para casa de Sarah, forçando a sua entrada. Com receio de represálias, a mulher insiste que não o quer em casa dela, muito menos quando descobre que ele esconde drogas roubadas. Farta de estar a ser explorada por este criminoso, Sarah bate com o pé, e as consequências são inimagináveis.

Logo à partida, Sarah Bolger faz para agarrar a nossa atenção, mostrando ser uma mulher a fazer o que pode para dar tudo aos seus filhos, ficando abalada por o assalto à sua vida. As interacções entre Sarah e Tito, pouco a pouco, vão criando alguns diálogos que aprofundam a sua cumplicidade forçada, mas que, na sua essência, só prejudicam a sua vida e dos seus filhos, enquanto tenta dar os melhores exemplos.

Neste thriller de crime urbano, Pastoll aborda o género de uma forma interessante, criando uma enorme empatia pela situação desta mãe, que, neste filme, tem várias tarefas na sua lista: como descobrir quem matou o seu marido, como se livrar deste traficante de droga e como dar uma melhor vida para aqueles que ela ama, tudo num curto espaço de tempo. Naturalmente, e como seria de esperar, não são tarefas fáceis de gerir, mas existe uma força em Sarah que nos faz acreditar daquilo que é capaz, surpreendendo-nos pelo caminho; ainda que existam momentos que tendem alongar-se demasiado.

  Loyd Kaufman nas sessões especiais de "Mutant Blast"

Quando Road Games estreou em 2015 (tendo passado no MOTELX no ano anterior), havia algo sobre a realização e a produção por detrás da estreia nas longas-metragens de Pastoll, juntando um leque de personagens de emoções profundas com uma narrativa bem escrita, onde os diálogos batem nos momentos certos. Algo que faz novamente neste filme, com uma facilidade enorme e que é sempre um prazer de ver.

Assim,  A Good Woman Is Hard To Find prova mais uma vez o talento do realizador britânico, dando a oportunidade de Sarah Bolger fazer um dos melhores papéis da sua carreira, num misto de emoções fortes que nos deixa agarrados à cadeira.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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