Cinema: Crítica – The Gentlemen – Senhores do Crime (2020)

No ano passado vimos um filme de Guy Ritchie, o seu remake disfuncional do Aladdin. Um resultado que deixou os fãs do realizador a torcer pelo seu regresso ao cinema de gangsters britânicos, do qual é tão e melhor conhecido. As preces foram ouvidas e eis que Ritchie regressa com The Gentlemen – Senhores do Crime, estando definitivamente de regresso ao cinema onde merece estar.

Mickey (Matthew McConaughey) é um barão de drogas leves, neste caso o seu império de cannabis é reconhecido pelos seus iguais. Mas Mickey quer se retirar da cena, e para isso está disposto a vender o seu império por um preço mais que justo. Pela boca de Fletcher (Hugh Grant), um paparazzi irritante, ouvimos uma versão da história que nos põe a par da situação, ao lado de Ray (Charlie Hunnam), o braço de Mickey, que tem que tomar uma decisão perante a chantagem que está sofrer.

Tal como nos anteriores filmes “clássicos de Guy Ritchie”, contamos com uma enorme variedade de intervenientes na história, com personagens como Rosalind (Michelle Dockery), Coach (Colin Farrell), Dry Eye (Henry Golding) e Matthew Berger (Jeremy Strong). Todos participam activamente numa narrativa repleta de caminhos cruzados e reviravoltas, que nos deixa a pensar se estamos a ouvir a história toda. Cada um conta com uma personalidade distinta, com os seus valores e maneirismos a ditarem como cada situação é resolvida, seja ela a bem ou a mal.

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Foi há 20 anos que Snatch – Porcos e Diamantes estreou, e notamos que as duas décadas da evolução do cinema – junto aos outros tantos filmes que Ritchie realizou, entre os quais dois do universo de Sherlock Holmes – que este aprendeu muito com as experiências noutros géneros. Agora apresenta uma nova dimensão às suas histórias de gangsters, não só com as suas personagens a apresentarem traços emocionais mais profundos, como também o próprio rumo da narrativa, esta última parecendo menos aleatória e impulsiva do que já vimos anteriormente.

Tal como expectável, 99% dos diálogos presentes são – na sua própria forma – todo um lifestyle de frases citáveis. Muitos dos diálogos são ditos numa espécie de dialecto de humor seco britânico, que é tão típico quanto o chá das cinco, inclusive formas muito criativas de insultar alguém, venha ou não de um lugar de carinho.

Dito isto, The Gentlemen – Senhores do Crime irá apelar aos fãs do realizador, que incompreensivelmente demorou tanto tempo a voltar ao grande ecrã com um filme cujo sub-género foi o próprio que definiu e que mais ninguém conseguiu imitar até hoje, valendo a espera, em forma de um futuro clássico que certamente ainda estaremos a falar daqui a 20 anos.

Nota Final: 9/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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