Cinema: Crítica – Relic (2020)

O cinema australiano tem oferecido alguns dos filmes de terror mais marcantes do género, desde Wolf Creek (2005), a O Senhor Babadook (2014), este último realizado por Jennifer Kent, uma das mulheres que destacou o trabalho dos talentos femininos do cinema independente. Desta vez, com Relic, a realizadora e argumentista japonesa-australiana Natalie Erika James traz-nos uma proposta surpreendente.

Edna (Robyn Nevin) é uma senhora de idade, que sofre com um caso grave de demência. Quando a mesma desaparece, a sua filha Kay (Emily Mortimer) e a sua neta Sam (Bella Heathcote), viajam para a casa, em sua busca. Edna acaba por reaparecer, mas algo de errado parece-se estar a passar, iniciando uma viagem pelo sofrimento doença.

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A subtileza no terror que Relic causa é impressionante, pois a mesma não é directamente assustadora, optando semear ideias, em forma de detalhes e pistas, não só deixando-nos a pensar o que se passa com Edna, mas também tudo aquilo que está em seu redor, estando este a deteriorar perante os seus olhos. Ao fazer isto, o verdadeiro medo vem dos nossos pensamentos e raciocínio, que tentam fazer sentido de tudo aquilo que vemos.

Natalie Erika James, na sua estreia nas longas-metragens, oferece um algo que vai muito mais além do cinema de terror tradicional, onde a presença inexistência de um monstro óbvio segue um caminho diferente, dando-nos uma história sobre o amor geracional de quebrar o coração, escondido nas entrelinhas de imagens perturbadoras, na forma de manifestações físicas Esta abordagem permite que tudo aquilo que vemos, ainda que seja de uma forma alegórica, se mantenha connosco durante muito depois do final da película e força-nos a fazer uma reflexão sobre a forma que tratamos a demência como um estigma.

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Esta familiaridade facilita um relacionamento fácil entre o espectador e o filme; todos temos alguém que nos preocupamos e queremos protegê-las dos males que o mundo tem, e em Relic, o aperto de que uma variante destes eventos possam realmente acontecer a qualquer um de nós, mesmo sem os elementos mais sobrenaturais, certamente não irão deixar ninguém indiferente.

Assim, Relic mostra-se como um dos primeiros grandes filmes de terror da década, com um incrível elenco, unido com uma narrativa que se entranha na mente, dando por nós a gritar para as paredes. No fim, vão com certeza ter vontade de ir abraçar os vossos ente queridos, na esperança que não tenham uma experiência semelhante e com este filme presente na vossa cabeça para sempre.

Nota Final: 9/10

 

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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