Cinema: Crítica – Operação Overlord (2018)

Existe de momento um fenómeno estranho no cinema, onde a necessidade de revisitar e, de alguma forma, actualizar certos conceitos é algo que frequentemente nos deixa confusos. Operação Overlord, é o mais recente filme de Julius Avery, produzido nem mais nem menos pelo grande J.J. Abrams e vai buscar a velha história dos americanos contra os Nazis, com um twist um bocadinho diferente.

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Em plena Segunda Guerra Mundial, um grupo de militares norte-americanos tem a tarefa árdua de destruir uma torre de rádio numa pequena cidade fora de Normandia. O problema? Os Nazis estão secretamente a realizar experiências científicas nos residentes locais, para criar um serum com efeitos devastadores.

Conhecemos Boyce (Jovan Adepo), um jovem militar que apenas há três meses era um civil e que agora, provavelmente, se encontra na situação mais complicada da vida dele. Juntamente com Ford (Wyatt Russell), especialista em explosivos, Tibbit (John Magaro) e Chase (Iain De Caestecker), conhecem Chloe (Mathilde Ollivier), uma francesa disposta a ajudar a cumprir a missão.

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Logo desde o primeiro momento, sentimos-nos no meio do próximo grande first-person shooter, algo do qual esta narrativa parece ter como maior inspiração, principalmente a série Wolfenstein, que também tem uma história semelhante, sobretudo no que toca a nazis a fazerem experiências científicas do mesmo género.

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Com isto, é mais do que claro que estamos perante um filme que todo ele age como se dum let’s play tratasse, onde o jogador invisível toma as decisões heróicas nos momentos de acção e as cutscenes pelo meio contextualizam o enredo para o próximo festival de tiroteios e explosões.

Ainda que por vezes o filme puxe pelo lado do entretenimento, o mesmo tende extender a boa vontade da atenção do espectador, com algumas cenas longas demais com uma fluidez inconsistente, o que se torna rapidamente aborrecido. Vindo duma história uni-dimensional, Operação Overlord perde muitas oportunidades em explorar as intenções de ambos lados, podendo talvez criar uma dúvida razoável sobre as motivações dos bons e dos maus, preferindo antes focar-se em uma coisa e uma coisa apenas: não ser o filme de guerra que os vossos papás iriam gostar.

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Mas como nem tudo é mau, podem contar com vários efeitos visuais interessantes e muito gore com detalhes esperados neste tipo de filme, limitando-se a ser das poucas coisas apelativas e que tinha mais potencial. Uma adição não muito entusiasmante ao sci-fi e terror, mas um excelente complemento daquele shooter que vocês tanto gostam.

Nota Final: 4/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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