Cinema: Crítica – O Informador (2019)

Para Andrea Di Stefano, adaptar um dos romances de crime mais badalados vindos da Suécia, Tre sekunder, autoria da dupla Anders Roslund e Börge Hellström, pode parecer tarefa difícil, mas o realizador de Escobar: Paraíso Perdido mostra uma boa tentativa de agradar a fãs de thrillers com O Informador.

Pete Koslow (Joel Kinnaman) é um informador para o FBI, infiltrado na máfia polaca. Junto com a agente Wilcox (Rosamund Pike), têm a intenção em acabar com o cabecilha. As coisas correm mal quando Pete testemunha o assassinato a um polícia sob disfarce, e é feito o bode expiatório com o propósito de gerir a entrada de drogas para dentro da prisão para onde vai. Entretanto, Grens (Common), um detective do crime organizado, investiga a morte do seu colega, acabando por descobrir mais do que deve.

A primeira metade de filme estabelece todas as peças no tabuleiro, entre situações perigosas e as personagens que activamente participam no rumo da narrativa, independente da sua significância, sobretudo a família de Pete, onde a sua mulher Sofia (Ana de Armas) tenta apoiar o marido da melhor forma possível, mas que não é mais que um elemento dramático.

A partir da segunda metade, as coisas vão ficando mais ou menos interessantes, com o thriller a tornar-se num filme de prisão, indo mais longe em criar uma teia de conspiração com algumas complicações e reviravoltas, muitas delas desnecessárias e pouco originais, mas que criam toda uma rede de segurança que permite que a história se desenvolva com o mínimo dos percalços.

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Na verdade, por mais banal que seja O Informador, o filme faz o melhor em seguir os passos de outros do seu género, proporcionando assim uma obra que entretém o suficiente, sem grandes alaridos. Talvez onde mostre as suas verdadeiras falhas é quando se apoia nas várias linhas interligadas dentro de uma conspiração que é muito mais pequena do que realmente aparenta.

Assim, O Informador põe-nos perante uma filme com algum conteúdo e que deverá satisfazer aqueles que procuram uma narrativa séria, mais virada para as histórias da velha guarda, onde o bom, o mau e o verdadeiro vilão entram numa rota de colisão, com cada um deles a lidar com as devidas consequências; com um elenco competente, que adiciona a credibilidade necessária para que tudo seja encarado de uma forma aceitável. Certamente que existem propostas melhores por aí, mas com certeza que ninguém há de ficar mal com esta mais recente.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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