Cinema: Crítica – Malcolm & Marie (2021)

Euphoria foi uma das grandes surpresas de 2019, uma série criada por Sam Levinson, mostrando um pedaço da vida mais íntima dos adolescentes, repleto de sexo, drogas e egos.

Com uma segunda temporada muito aguardada, a pandemia não permitiu que as gravações fossem para à frente, tendo sido gravados dois episódios especiais focado em duas das personagens. Mas Levinson tinha outro projecto em mente, um combinado com Zendaya e John David Washington, este último sem saber exactamente o que fazer após o protagonismo em Tenet. Escrito em seis dias e gravado em cerca de duas semanas em 35mm a preto e branco, Malcolm & Marie chega à Netflix.

Depois da estreia do seu último filme, Malcolm (Washington) e Marie (Zendaya) regressam a casa, celebrando o feito. Mas quando vem ao de cima que Malcolm se esqueceu de agradecer à sua amada, inicia-se uma discussão de proporções épicas, reflectindo no conceito de cinema, inspiração, e o significado do amor.

Só o facto de estar a escrever uma crítica deste filme deixa-me pessoalmente em dúvida; existindo uma forte crítica vinda de Malcolm, queixando-se que a eterna busca de um significado não intencional nas obras dos seus criadores deixam-no zangado. É um sentimento expresso frequentemente, sendo um catalisador.

A forma que a narrativa está construída e encarada, de uma forma teatral, cruzado com os muitos enquadramentos pessoais destas duas personagens, são uma demonstração do núcleo do ser humano; neste caso entre duas pessoas que, acima de tudo, se amam. Como qualquer relação que valha, está repleta de altos e baixos, com muito amor e muito ódio. Não entre eles como pessoas, mas como a versões deles próprios naquele momento; ao qual a banda sonora garante não deixar nada por dizer, às vezes escalando a gravidade da discussão.

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Para um filme baseado em duas pessoas e os seus sentimentos, as coisas podem ser muito bonitas, como incrivelmente feias. enquanto conhecemos um pouco das suas vidas e as suas guerras pessoais, sem conter qualquer tipo de intensidade, que ocasionalmente acertam como socos na barriga. Mas também está cheio de momentos de riso constante, seja do reconhecimento de referências do mundo real; que quando ditas em voz alta, soam altamente absurdas. Os diálogos também sabem ser dolorosos, ao ponto de sentirmos uma emoção muito série de ódio no seu discurso.

Numa nota mais pessoal, Malcolm e Marie somos, de alguma forma, nós ali encarados. Os nossos problemas, as nossas reacções, nem sempre racionais, perante a injustiça que achamos que o mundo nos criou. Não havia dupla mais relevante que Zendaya e John David Washington, ambos talentos emergentes, que possa ter feito melhor trabalho. Estes são, como picardia do filme, uma tour-de-force imparável. Possivelmente.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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