Cinema: Crítica – Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (2019)

Muito antes de Arrepios! aparecer, Alvin Schwartz escreveu uma trilogia de histórias curtas de terror, acessíveis para crianças, que veio com uma série de controvérsias relativamente aos seus conteúdos escritos de forma mais ou menos gráfica, mas apropriada para a faixa etária. Quase 20 anos mais tarde, eis que Guillermo del Toro assina a produção, com o realizador norueguês André Øvredal (A Autópsia de Jane Doe, O Caçador de Trolls) a adaptar para o grande ecrã estas Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro.

O ano é 1968 e Stella (Zoe Colletti), Auggie (Gabriel Rush) e Chuck (Austin Zajur) preparam-se para um Halloween assustador, quando conhecem o misterioso Ramón (Michael Garza). Após terem pregado partidas aos seus bullies, acabam por chegar à casa assombrada de Sarah Bellows, que está no centro dum mito local, onde quem ouvia as suas histórias iria encontrar a morte. Entretanto, o livro começa a escrever novas histórias assustadoras, que envolvem estas novas personagens, tornando o medo real.

No entanto, qualquer semelhança visual com Arrepios! pode não ser exactamente pura coincidência, já que a série que fez furor durante os anos ’90, também adaptada para televisão, vê aqui uma versão mais negra da literatura jovem adulta, onde tudo consegue ser assustador sem ser demasiado gráfico. É, para melhor ou pior, a faca de dois gumes deste filme, já que por um lado podemos admirar a técnica subtil sem mostrar demasiado, por outro, o fanático do terror grita em querer ver mais sangue e gore. De qualquer das forma, é um esforço sólido e bem pensado.

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Não é difícil perceber o que del Toro viu neste projecto, pois tem todos os elementos que o realizador mexicano gosta de abordar nos seus filmes, neste caso, funcionando como uma espécie de antologia que vai ocorrendo de forma mais ou menos orgânica. De facto, os ditos monstros são os pontos principais duma narrativa motivada para introduzir a cada 20 minutos um novo conto e as suas consequências perante o mundo que os rodeia, algo que torna alguns momentos mais longos do que gostaríamos.

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro não pretende inovar. Opta sim por agarrar várias influências, não só do seu material original, mas também de autores como Stephen King e Clive Barker, tornando-se em algo verdadeiramente obscuro, funcionando como uma boa obra de introdução ao terror a públicos mais jovens e capaz de entreter fãs veteranos do género.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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