Cinema: Crítica – Guns Akimbo (2019)

Em Maio de 2018 tornou-se viral uma fotografia de Daniel Radcliffe, vestido com um robe, boxers e uma t-shirt branca, duas armas na mãos e olhos de louco. A fotografia deu origem a um meme acarinhado pelos fãs do actor. Na altura a fotografia não foi de imediato associada a Guns Akimbo, o novo filme do neozelandês Jason Lei Howden (Deathgasm). Se esta fosse a única razão da qual o filme tem estado no centro das atenções, tudo estaria bem, mas eventos recentes envolveram Howden e algumas outras pessoas no Twitter, acabando por gerar alguma controvérsia à volta do filme.

Conhecemos Miles (Radcliffe), um jovem que odeia o seu emprego, a trabalhar num jogo mobile designado para que gastem dinheiro nas micro-transacções. Ele passa a sua vida a reportar todo o tipo de conteúdos criados pelos trolls da internet. Um dia, as coisas correm mal quando se envolve com uma organização criminal chamada Skizm, tendo estes atingindo a sua popularidade ao fazerem eventos de vida e morte em forma de entretenimento ao vivo com milhares de pessoas em todo o mundo. Para sobreviver, Miles tem que matar o seu oponente, na forma de Nix (Samara Weaving), uma rapariga forçada a jogar este jogo macabro e disposta a fazer de tudo para sair, mesmo que isso implique a morte de terceiros.

Alimentado pela narrativa e visuais inspirados em videojogos e gratificação imediata, Guns Akimbo é um filme criado à base de adrenalina, contribuindo para a necessidade de sobrevivência, custe o que custar. No fundo, é uma mistura de Crank – Veneno no Sangue (2006) e Jogo (2009) ambos de Mark Neveldine e Brain Taylor, tendo a dupla sido pioneiros num estilo cinematográfico moderno, ao qual podemos fazer algumas comparações, com excepção da banda sonora deste ser muito pior.

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Seja na sua narrativa maioritariamente fútil, onde o sentimento de risco é zero, as muitas cenas de tiroteios são minimamente toleráveis, não fossem elas tão frequentes ou repetitivas entre elas. Do outro lado, as personagens que compõem este mundo sem lei, também não convencem tanto quanto certamente gostariam, sobretudo Riktor (Ned Dennehy), o líder de Skizm, que é um vilão que aparenta ser mais assustador do que realmente é.

No entanto, importa destacar esta entrada como mais uma na carreira de Samara Weaving, que nos últimos anos tem feito um nome por si no circuito de filmes independentes, e que a seu tempo devido, será um dos nomes mais importantes do cinema actual.

No fim, Guns Akimbo é um filme com um valor cinematográfico reduzido, com uma hora e meia passável, equivalente a uma trip de metanfetaminas com uma dose de cocaína, disfarçada num filme satírico e repleto de violência gratuita em quantidades exageradas.

Nota Final: 4/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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