Cinema: Crítica – Freaks

Freaks, o thriller de ficção científica escrita e realizada pela dupla Zach Lipovsky e Adam B. Stein (Kim Possible), estreia já amanhã mas o Central Comics já foi ver.

O cinema independente por vezes tem receio em arriscar por territórios que são, normalmente, mais vistos nos blockbusters de Hollywood. Mas as suas ideias nem sempre resultam tão bem num grande espectáculo, optando antes percorrer um caminho mais aterrado.

Em Freaks, conhecemos a história de Chloe (Lexy Kolker), uma criança fechada dentro de uma casa com o seu pai paranóico Henry (Emile Hirsch), que a protege dos males à espreita pelo mundo. Mas Chloe é impaciente e consegue escapar, para descobrir que o está para além do portão poderá decidir a sua vida e a sua morte.

Atirando-nos logo para o meio de uma narrativa, o desenrolar da história é feito gradualmente, forçando a nossa atenção em apanhar várias peças do puzle e perceber o que realmente está a acontecer e quem são estas pessoas. O mundo lá fora está diferente, cheia de ameaças, que não é local para uma pequena criança vaguear. Infelizmente, contando mais do que isto poderia ser considerado spoiler, já que o fiz é construído à volta do elemento surpresa e apelando à descoberta, algo que funciona bem, pelo menos em sua grande parte.

Zach Lipovsky e Adam B. Stein criam um pequeno mundo cativante, de baixo orçamente e com muito coração, dado principalmente pela actuação semi-improvisada da jovem Lexy Kolker, que acompanhamos todo o filme pelos seus olhos. É de longe uma das melhores prestações vistas nos últimos tempos, que, ao lado de Emile Hirsch, regressa com um papel assustadoramente bem interpretado.

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Toda a componente ficção científica interliga-se com um thriller emocionante, quando descobrimos o papel da Agent Ray (Grace Park) no meio disto tudo, em muitos momentos de cortar a respiração. Aliás, o facto de Freaks não se conter na demonstração gráfica de alguns actos de violência é um bem-dado que só beneficia a credibilidade de um filme cuja ambição de mostrar um lado diferente resulta em algo de grande valor.

Assim, Freaks contém todos os ingredientes para uma boa película de género, oferecendo uma experiência mais enigmática do que um grandioso fogo-de-artifício, providenciando todas as sensações, num inicio interessante da dupla de realizadores, que após uma boa recepção da sua adaptação de imagem real de Kim Possible, mostram que têm um talento inato para criarem histórias cativantes.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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