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Cinema: Crítica – Christy: A Força de Uma Campeã

Sydney Sweeney transforma-se e protagoniza a biopic Christy: A Força de Uma Campeã, seguindo a vida da pugilista norte-americana Christy Salters Martin.

As biopics de desportistas parecem estar novamente na moda – há muito pouco tempo tivemos Dwayne Johnson em The Smashing Machine: Coração de Lutador – mas Christy: A Força de Uma Campeã vai para além disso, com a vida da pugilista ser mais fascinante do que tudo o que acontecera dentro do ringue. Depois de uma extensa série documental na Netflix, a adaptação para o grande ecrã de Christy Salters Martin apresenta-nos uma Sydney Sweeney como nunca a vimos.

Acompanhamos a vida de Christy (Sweeney), desde de uma jovem pugilista por hobby, à medida que vai apercebendo que tem jeito para o desporto, e que poderá vingar-se em algo que até aquele momento era dominado por homens. Para isso, Christy teve que adaptar a sua vida para a realidade social, com consequências pessoais.

Se o documentário da Netflix trouxe a atenção da pugilista para o foco de uma geração em busca de histórias de vida sensacionais, Christy Martin tem, sem dúvida, uma das mais interessantes. Afinal, foi uma das primeiras mulheres a encontrar o verdadeiro sucesso no boxe, com dezenas de vitórias. Ainda que nunca invencível, a mesma era temida ao lado de outras pugilistas que se viram num frente-a-frente com ela nas suas carreiras.

O filme faz um excelente trabalho em dramatizar todo o percurso da atleta, desde dos seus primórdios até às sucessivas mudanças de vida, e das pessoas que lhe rodeavam, sobretudo James Martin, o treinador e eventual marido abusivo. Ao longo de vários anos, vemos as várias versões de Christy, que não só lutava no ringue, como também com os seus demónios internos e externos, fora das cordas, numa visão implacável e não filtrada da vida vida. Enquanto que o dia-a-dia é retratado de forma dramática, são os combates intensos que impressionam, podendo o espectador sentir toda a dor que causa ir contra as luvas. 

A liderar tudo está a actuação genial de Sydney Sweeney, cuja transformação é altamente admirável e muito convincente para contar esta história, demonstrando a dualidade da personalidade de Christy, como uma lutadora destemida e uma sobrevivente vulnerável. Certamente a actriz estará de olho em vários dos prémios da Academia e os outros tanto adjacentes durante a próxima temporada, mas tendo em conta o panorama, é difícil prever o rumo.

Assim, Christy: A Força de Uma Campeã é uma adaptação que cumpre o pretendido em recontar a história da pugilista. No entanto, devido às suas decisões criativas, não é nada mais que um complemento decente ao documentário, servindo assim um propósito algo limitado, senão mesmo como um ponto de partida para descobrir mais sobre a vida desta atleta.

Nota Final: 6/10



Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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