Cinema: Crítica – Becky (2020)

Por vezes existem elencos que nos surpreendem, não só por quem está incluído no ensemble, como as personagens que retratam. Este é o caso de Becky, realizado pela dupla de Jonathan Milott e Cary Murnion, que nos mostra uma faceta muito, muito, diferente de Kevin James.

Conhecemos Becky (Lulu Wilson), uma adolescente ainda a tentar lidar com a morte da sua mãe, que perdeu uma luta contra o cancro. Quando o seu pai, Jeff (Joel McHale) decide levá-la para um fim-de-semana no campo, as coisas tomam outro rumo quando a casa é invadida por um grupo de prisioneiros fugitivos, incluindo Dominick (James), um neo-nazi em busca de uma chave perdida.

Becky

O que ao inicio aparenta ser apenas mais um filme de terror de invasão de casas, rapidamente muda de tom quando percebemos que Becky é uma psicopata nata, com muita raiva no coração. Poderia ser um exagero, mas quando a sua primeira reacção frente-a-frente com um dos maus da fita é furar-lhe o olho, percebemos que estamos perante um outro tipo de filme. Na verdade, é de absoluta estranheza mas não surpreendente esta abordagem menos tradicional aos clichés subscritos, marcando pela diferença em estarmos a lidar com uma pequena assassina em série em criação, ou uma espécie de história derivada de Hanna. No entanto, toda a violência, quase gratuita, vem de um lugar muito escuro dentro da jovem Becky, proporcionando momentos, muitos deles desnecessariamente, sangrentos e sem nexo.

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Poderíamos debater as razões do rumo seguido por Milott e Murnion, mas pondo de lado o que está a acontecer, é importante vermos a quem está a acontecer, e é aí que vemos Kevin James, um actor mais conhecido pelos seus trunfos cómicos, desde a sitcom “O Rei do Bairro” que passou em Portugal, passando por Paul Blart em O Segurança do Shopping e as suas frequentes colaborações com Adam Sandler, é de ficar boquiaberto ver o actor a encarar uma personagem tão má, sem escrúpulos, mas acabando por ser, definitivamente, a melhor coisa deste filme, enquanto que Lulu Wilson claramente se está a divertir no seu papel de destruição.

Infelizmente é das únicas coisas positivas que poderemos dizer sobre Becky, uma obra que vê os seus truques a serem repetidos demasiadas vezes para ser levado com o mínimo de seriedade requerida, tornando-se num festival de violência e sangue, onde aqueles com sensibilidades maiores, como animais mortos ou um gore extra, podem-se tornar numa péssima experiência de cinema. O porquê é uma pergunta que continua a pairar no ar, é preferível focar no quem, já que o elenco tende ser um pouquinho mais interessante a viverem a história criada.

Nota Final: 3/10


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Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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