Cinema: Crítica – Bad Boys Para Sempre

Passaram-se 17 anos desde a última vez que vimos Will Smith e Martin Lawrence como a dupla de polícias mais irreverente do cinema, numa aventura iniciada em 1995 na estreia das longas-metragens do sempre espalhafatoso realizador Michael Bay. Muito mudou no mundo desde da última vez que vimos estes bad boys, mas a nostalgia ditou que o regresso fosse dirigido pelos realizadores belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah, agora em Bad Boys Para Sempre.

Os detectives inseparáveis Mike (Smith) e Marcus (Lawrence) estão, como seria esperado, mais velhos. Afinal, são 25 anos como parceiros, e está na hora de Marcus cumprir a sua palavra e reformar-se, enquanto que Mike espera andar atrás dos maus da fita até aos 100 anos. Esta fricção muda de figura quando alguém do passado de Mike vem para lhe matar, juntando a dupla para uma última missão.

Muitos dos elementos que conhecemos e adoramos dos filmes anteriores estão presentes, ainda que numa forma distinta o suficiente para que os novos realizadores façam algo que seja deles. Vivemos num mundo tecnológico e é com a introdução de uma nova equipa táctica, denominada AMMO, composta por jovens especialistas em armamento, vigilância e cibersegurança. Naturalmente os “velhotes” não lhes acham piada, mas reconhecem a sua utilidade para a situação perigosa que têm nas mãos, mesmo que envolva algumas piadas sobre o mais velho dormir com a mãe do mais novo.

De alguma forma, a expectativa de o terceiro filme seguir as pisadas dos anteriores no que toca a cenas que vão longe demais, sem qualquer vergonha na cara, são dissipadas com o mesmo se levar com alguma seriedade, arriscando a ser demasiada, tendo em conta que num espaço de 5 minutos vemos várias das personagens a chorar, sem que haja propriamente uma grande motivação. Igualmente, não existe espaço para grandes loucuras que sejam estupidamente entusiasmantes, substituindo a esperança por uma contenção demasiada segura.

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As novas personagens da AMMO, composta por Rita (Paola Nuñez), Dorn (Alexander Ludwig), Rafe (Charles Melton) e Kelly (Vanessa Hudgens) oferecem uma nova perspectiva dentro do universo de Bad Boys, podendo dar, eventualmente, uma continuação mais interessante do que série spin-off L.A.’s Finest, sendo eles o grande destaque do filme. Por outro lado, a redenção religiosa de Marcus torna-se irritante mais rápido que um tiro de uma bala, contando com muitos suspiros chatos pelo meio.

Assim, será que Bad Boys Para Sempre valeu a espera? Bem, mais ou menos. Se formos pela nostalgia e a química das personagens, é claro que abrirmos os braços para ver Will Smith e Martin Lawrence juntos no grande ecrã. Mas, no fim, queira-nos parecer que se esta terceira entrada tivesse sido estreada há uma década, talvez a idade não pesasse tanto. Dêem lá oportunidade aos mais novos, que eles parecem não se queixar de como o mundo funciona hoje.

Nota Final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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