Cinema: Crítica – A Turma da Noite (2018)

Nos últimos anos, Kevin Hart tem sido uma referência cómica por Hollywood. Vê-se, por exemplo, o seu protagonismo em grandes blockbusters como o recente Jumanji: Bem-Vindos à Selva, ou o facto de ser o primeiro comediante a esgotar um estádio de futebol americano, com lotação de 102.000 fãs, para um espectáculo de stand-up.

Hart regressa assim ao grande ecrã, ao lado de Tiffany Haddish, em A Turma da Noite, numa comédia realizada por Malcolm D. Lee.

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Em A Turma da Noite, Hart é Teddy, um homem vê a sua vida parada porque não concluiu o secundário, tendo que ir agora atender às aulas pós-laborais de Carrie (Haddish), e fazer o derradeiro teste que lhe dará equivalência. Claro que entretanto, Teddy tem tido uma vida extravagante, acumulando dívidas para se mostrar financeiramente capaz à sua namorada, Lisa (Megalyn Echikunwoke).

Enquanto que Hart, pelos vistos, aprendeu a fazer pouco da sua baixa altura (ele mede 1,63m), as piadas fáceis são uma constante e nem sempre funcionam. Mais, todo o caminho em direcção à lição de vida que Teddy tem que passar, é inteiramente desnecessária, insistindo em bater na mesma tecla vezes sem conta para chegar ao mesmo resultado.

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A isto se junta uma ensemble repleta de personagens-tipo, como Theresa (Mary Lynn Rajskub), uma mulher que foi mãe em jovem e não terminou o 12º devido à gravidez; ou Mila (Anne Winters), uma rapariga que teve que escolher entre ir para o reformatório ou fazer o teste e ir para a faculdade. Ainda assim, a ideia de Carrie ser a professora durona, sem tretas mas com um coração de ouro, raramente funciona como suposto, enquanto que por outro lado, é sempre bom ver Ben Schwartz, aqui como o melhor amigo de Teddy e Taran Killam, como o director da escola.

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Surpreendente é constarem 7 nomes na lista de argumentistas no desenvolvimento deste filme, praticamente todos eles envolvidos em filmes de comédia mais interessantes que este, parecendo que todas as ideias foram fruto dum grande trabalho de grupo de escola. Em 1995, bastou a dupla de Adam Sandler e o seu colaborador frequente, Tim Herlihy, para escreverem um dos filmes mais cómicos dos anos ’90, sobre um adulto que tem de ir às aulas: Um Milionário na Escola. Passados 23 anos, esperava-se muito melhor do talento presente hoje em dia.

Assim, A Turma da Noite é um filme perfeito para aqueles domingos preguiçosos no sofá e não encontramos o comando, onde o pior que pode acontecer é rirem-se um bocadinho. Mas não muito.

Nota Final: 2/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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