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Cinema: Crítica – 007: Sem Tempo Para Morrer (2021)

Após ter sofrido diversos adiamentos, foram precisos 18 meses para vermos no grande ecrã a despedida de Daniel Craig como James Bond. Tem sido uma espera de muita ânsia, com o filme 007: Sem Tempo Para Morrer a culminar agora 15 anos como o agente secreto mais famoso e adorado do mundo, num filme realizado por Cary Joji Fukunaga. (True Detective).

Anos após 007: Spectre, Bond (Craig) vive uma vida de reforma ao lado de Madeleine Swann (Léa Seydoux), até ao dia que é emboscado por um novo vilão, na forma de Lyutsifer Safin (Rami Malek), que quer mudar o mundo à sua maneira especial. Forçado a encarar o mal, Bond tem agora que cumprir a derradeira missão para salvar o mundo.

Depois de ter protagonizado quatro filmes como James Bond, Craig está na posição invejável de no seu quinto filme poder terminar com uma narrativa que feche o ciclo do seu mandato, um que muitos consideram como o melhor actor a vestir o smoking até à data. Quando vimos 007: Casino Royale em 2006 pela primeira vez, era clara a influência que Jason Bourne tinha deixado no cinema moderno, com um Bond longe de ser perfeito mas capaz de correr riscos, e longe da tolice que os filmes com Pierce Brosnan se estavam a tornar.

Em Sem Tempo Para Morrer, sentimos que acompanhamos Craig numa jornada como mais nenhuma outra, onde cada filme acumulava as consequências do anterior para uma história coesiva. A ideia funcionou bem, com este último filme a dar uma oportunidade de concluir muitos dos sub-enredos que decorrem há anos.

Com Cary Joji Fukunaga no argumento e na realização, existe uma sensibilidade um pouco mais dramática que se estende pelo resto do filme, onde é notável um sentimento que estamos perante uma versão moderna de um dos clássicos do 007, na altura do Sean Connery ou Timothy Dalton. Há um misto de sensações, entre perseguições de carros intensos e uma série de momentos amorosos, há também todo um ódio a destilar por Lyutsifer e o seu mundo perfeito, no que é talvez um dos filmes onde está literalmente tudo na linha.

A participação de Phoebe Waller-Bridge no argumento é igualmente de aplaudir, com a criadora da série Fleabag a contribuir positivamente para muito da história, a pedido de Craig. Embora o actor esteja novamente impecável, são as novas personagens a roubar muitas das cenas, como Paloma (Ana de Armas), que embora a sua participação seja muito limitada, é sem dúvida inesquecível; e Nomi (Lashana Lynch), uma das novas agentes 00, que desafia a noção de o que é ser um agente ao serviço de Sua Majestade.

Com isto, 007: Sem Tempo Para Morrer é o filme de Bond que celebra o fim de uma das mais importantes eras da personagem no grande ecrã, com muitas emoções à mistura. O drama é balanceado com a acção, sendo importante notar todo o caminho que nos fez chegar até este momento. Quando nos apercebemos, damos por nós a jurar que ninguém vai ser tão bom quando Craig. Até lá, é apreciar aquilo que podemos testemunhar na última década e meia.

Nota Final: 8/10

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