Black Mirror põe a escolha do nosso lado, com Bandersnatch (Sem Spoilers)

Agora que a época natalícia levantou o espírito a muita gente pelo mundo, eis que o regresso de Black Mirror à Netflix é marcado pela a grande diferença de ser um único episódio especial interactivo. “Bandersnatch”, é um filme da série Black Mirror, com opções de escolha múltipla, onde o espectador poderá determinar o destino de Stefan (Fionn Whitehead), um jovem programador que decide criar um jogo baseado num livro ao estilo de aventura gráfica.

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Quando a série original da Channel 4 foi adoptada pela Netflix em 2016, Black Mirror já tinha feito furor entre fãs e críticos que aplaudiam o género de ficção cientifica, onde a ficção estava mais próxima da realidade, de forma muito mais incomodativa que desejaríamos. Desde então, a série tem servido um pouco para ilustrar as previsões de acontecimentos mundiais, onde a humanidade estava sempre a dois passos de se tornar no seu próprio episódio. Entre o sistema de classificação pessoal na China (“Nosedive”), a um palerma sem experiência política ser elegido para o cargo mais alto do seu país (“The Waldo Experiment”), Black Mirror, mais especificamente o seu criador, Charlie Brooker, sempre esteve na vanguarda em retratar a provável evolução do mundo.

Não contente em apenas ser a antologia que foi há quatro temporadas, estava na hora de pôr as decisões nas mãos de quem vê, num sistema de escolhas já previamente testado em algumas séries infantis da Netflix, como O Gato das Botas e Minecraft: Story Mode. Assim, surge a evolução natural da antologia que desde 2011 garantia que a tecnologia seria o nosso fim, e nunca estiveram tão certos.

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As escolhas iniciais de “Bandersnatch”, por mais inocentes que possam parecer, têm uma grande influência em como o resto da história se desenvolve, aumentando gradualmente o nível de loucura instaurado à boa moda de Black Mirror, revelando segredos, intrigas e reviravoltas que prometem não deixar ninguém indiferente. Não existem propriamente más escolhas, sendo que todas elas têm o seu caminho a seguir e as suas consequências que poderão, ou não, dar a volta a um ponto anterior onde podemos, de alguma forma, remediar o destino da nossa personagem com outros olhos.

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Ao longo duma aventura que pode durar entre 40 a 90 minutos, a nossa sanidade é posta em causa, tendo nós que tomar as decisões que queremos, indo parar a diversos cantos que vão desde do puramente aterrador, à meta-comédia, nunca esquecendo o seu verdadeiro objectivo de contar uma história coerente, algo que faz e bem tendo em conta as inúmeras variáveis. Tal como verdadeiros videojogos do género, temos à disposição diversos finais diferentes que resultam das nossas escolhas.

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Considerando que Black Mirror foi inspirado por antologias clássicas, como A Quinta Dimensão, à qual se junta uma sociedade moderna que George Orwell avistou de longe, não é surpreendente a forma como a série é capaz de atrair e genuinamente assustar as pessoas com facilidade, indo ainda mais longe com este Bandersnatch, que nos faz questionar: Quem é que tem o verdadeiro controlo?

  • Black Mirror: Bandersnatch já está disponível na Netflix.

N.E.: Após esta publicação, o Ricardo submeteu-se a tratamentos psiquiátricos numa clínica especializada em métodos pouco convencionais, estando ele a ser acompanhado durante a sua recuperação. Desejamos desde já as suas melhoras e o seu regresso rápido.

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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