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Análise BD: Dampyr: O Suícidio De Alesteir Crowley

Durante muito tempo um elevado número de investigadores e especuladores debruçou-se sobre um dos acontecimentos mais enigmáticos e marcantes que teve lugar na Boca do Inferno, em Cascais, durante os anos 30 do século XX: Trata-se do suposto suicídio do polémico mago inglês Alesteir Crowley (1875 – 1947), um influente ocultista que se terá encontrado nesse local precisamente com o poeta e astrólogo Fernando Pessoa (1888 – 1935), outra figura incontornável da História do Esoterismo.

Todavia, apesar de Fernando Pessoa ter contribuído para difundir o suicídio de um dos homens mais marcantes da sua época, ocorrência que veio a ser publicada em vários jornais de 1930, veio-se a descobrir mais tarde que tudo não passara de uma encenação que contou com a sua cumplicidade, embora as motivações de ambos para orquestrar essa «farsa» nunca foram devidamente esclarecidas.

Mas como deveria este mistério passar despercebido aos apaixonados pelo mundo do oculto e o sobrenatural, digna de inspirar escritores de ficção e artistas prontos a dar-lhe uma criativa resposta?

É dentro dessa premissa que os autores italianos Mauro Boselli e Michele Cropera, intrigados pela história, avançam com mais uma aventura de Dampyr, ou mais precisamente Harlan Draka, nascido da união de um vampiro com uma mulher mortal e que percorre o mundo para combater todo o género de entidades maléficas.

O título deste álbum de banda desenhada de cerca de cem páginas a preto e branco, que faz parte da coleção Aleph e foi lançado para o público por A Seita, contando com a tradução de João Miguel Lameiras e o trabalho gráfico e a legendagem de Hugo Jesus, é justamente «Dampyr: O Suícidio de Alesteir Crowley.»

Dampyr: O Suícidio De Alesteir Crowley

Mais do que se basearem na importância mais que simbólica da Boca do Inferno para dois homens tão invulgares como Fernando Pessoa e a Besta 666 (como gostava de ser conhecido Crowley), os autores exploram ainda a relação de ambos com Ofélia Queiroz (1900 – 1991), as potencialidades da mediunidade e a acessibilidade a outros mundos ou dimensões desconhecidas, sobretudo dos quais fazem parte as hostis criaturas do universo cosmicista descritas pela imaginação de H. P. Lovecraft.

Através de uma arte muito detalhada, atenta a pormenores, a aventura de Harlan é partilhada juntamente com os seus amigos, procurando levar a cabo uma investigação cuja curiosidade é espicaçada pela vidente Ann Jurging, que sente uma ligação entre a mistificação de Pessoa e Crowley e o Terramoto de Lisboa de 1755, catástrofe que não terá sido de origem natural e conduz o grupo até Portugal, onde descobrem um dado conjunto de segredos, após a passagem por Lisboa, pela Quinta da Regaleira em Sintra e a Boca do Inferno, que os levam a elucidar sobre a luta ocorrida entre Crowley e os servos leais às forças destrutivas que pode vir a desencadear o despertar de Cthulhu, um dos Antigos que permanece em transe numa ilha misteriosa repleta de monstros que definitivamente não pertencem a este mundo.

Dampyr: O Suícidio De Alesteir Crowley

Eis uma obra que eu recomendo não só para quem tem interesse no enigma histórico que envolve Alesteir Crowley e Fernando Pessoa, mas também pela obra ficcional de Lovecraft e, evidentemente, pelo paranormal, o horror e a magia que é explorada através das histórias de Dampyr, possibilitadas pelos seus talentosos criadores, Broselli e Cropera.

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