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Cinema: Crítica – A Múmia de Lee Cronin

A Múmia de Lee Cronin vê o cineasta irlandês a reinterpretar a lenda com uma abordagem mais aterradora e grotesca, repleto de sangue e cenas viscerais.

Com a chegada de A Múmia de Lee Cronin, esta versão reimaginada pelo cineasta irlandês transporta o terror para uma saga até agora conhecida sobretudo pelo seu espírito aventureiro. Naturalmente, esta não é a primeira iteração da personagem, nem sequer do conceito. A trilogia dos anos 2000 continua a ser muito acarinhada pelo público — especialmente graças a Brendan Fraser e Rachel Weisz — e, em 2017, a Universal tentou construir o seu próprio universo dos Monstros com um filme protagonizado por Tom Cruise, que, merecidamente, falhou em praticamente todos os aspetos. Numa tentativa de revitalizar certas figuras com uma abordagem mais próxima do terror, a Warner Bros. traçou um caminho paralelo, totalmente desligado dos filmes anteriores, apresentando uma obra com uma personalidade muito própria.

Conhecemos Charlie (Jack Reynor), um jornalista que vive com a sua família no deserto, ao lado da mulher, Larissa (Laia Costa), e dos filhos, Sebastian (Shylo Molina) e Katie (Emily Mitchell). Certo dia, Katie desaparece e nunca é encontrada, até que, vários anos depois, a queda de um avião que transportava um sarcófago revela que o corpo da menina estava mumificado no seu interior. Agora, Charlie e o resto da família precisam de cuidar de Katie, que regressa à vida possuída por uma entidade maléfica.

Após o sucesso de Evil Dead Rise: O Despertar, Cronin aplica ideias semelhantes de possessão e horror a uma situação completamente diferente, repetindo, consequentemente, muitos dos conceitos já explorados no seu trabalho anterior. Existem, no entanto, outros elementos, sobretudo de natureza arqueológica, que ajudam a enquadrar a narrativa e a torná-la mais consciente do seu conteúdo pessoal e grotesco.

Por outro lado, há um enorme mérito nas interpretações — especialmente de Natalie Grace, como a versão adulta e mumificada de Katie, e de May Calamawy, como a detetive Dalia Zaki, que investiga o que realmente aconteceu à rapariga —, que conferem alguma profundidade ao que é essencialmente um “irmão gémeo” do filme anterior do realizador. É também uma obra que, por razões pouco claras, se estende por mais de duas horas, diluindo o seu impacto através de cenas excessivamente longas e transformando o que poderia ser uma experiência empolgante numa jornada muito menos estimulante.

Assim, A Múmia de Lee Cronin, apresenta-se como uma abordagem alternativa ao clássico Monstro e ao seu conceito, procurando distinguir-se ao focar-se nos seus elementos mais aterradores e na sua imagética sangrenta. É um filme que poderia ter sido bem mais entusiasmante, não fosse a sua tendência para arrastar o público num labirinto egípcio de repetições. No fundo, é quase uma masterclass sobre como refazer o mesmo filme, apenas mudando o cenário para o deserto.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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