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Jogos: Clue: Murder by Death – Análise

Clue: Murder by Death mistura a nostalgia dos jogos de tabuleiro com tensão em tempo real num mistério passado numa mansão dos anos 30 que recompensa a paciência, e castiga a hesitação.

Clue: Murder by Death

Jogo: Clue: Murder by Death
Disponível para:  PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Cocodrolo Games
Editora: Cocodrolo Games

Clue: Murder by Death

Há algo de imediatamente apelativo num mistério de homicídio envolto em nevoeiro, numa propriedade inglesa isolada, e Clue: Murder by Death assume essa fantasia com confiança. Inspirado no clássico jogo de tabuleiro Cluedo, bem como no imaginário de Agatha Christie e Sherlock Holmes, coloca-nos na pele do detetive John Smith a investigar a morte de Lord Anderson antes da chegada da Scotland Yard. O objetivo é claro: identificar o assassino, a arma e, detalhe essencial, o motivo. A execução, porém, está longe de ser simples.

A mecânica central é um contador de 120 minutos em tempo real. O relógio nunca pára. Nem para explorar, nem para interrogar suspeitos, nem sequer para navegar nos menus. É uma decisão de design arrojada, orientada por sistemas, que injeta tensão genuína em cada corredor percorrido. E corredores não faltam. A mansão conta com mais de 165 divisões e mais de 150 objetos interativos, apresentados num estilo isométrico 3D com paleta “dark vintage” que faz lembrar um tabuleiro físico cuidadosamente montado. O visual é encantador, quase de maquete, até nos apercebermos da sua escala.

A exploração assenta num sistema de trio. Escolhemos dois companheiros de entre um leque de residentes excêntricos, e cada personagem traz consigo observações únicas e diálogos específicos. Uma criada pode desbloquear conversas que o detetive não conseguiria. Mr. D, uma espécie de Drácula, comenta passagens secretas com suspeita familiaridade. É uma solução inteligente de mudança de perspetiva que incentiva múltiplas tentativas e transforma cada partida num novo exercício de dedução. Não é suposto descobrir tudo numa única sessão. É suposto falhar, aprender e regressar.

Clue: Murder by Death

Contudo, a ambição tem custos. O movimento é lento e deliberado, sem opção de corrida. Regressar a divisões já visitadas torna-se, por vezes, penoso. Existe atraso na resposta aos comandos, sobretudo ao aceder ao quadro do caso, o que quebra o ritmo da investigação. A interface também não ajuda: o mesmo analógico serve para mover a personagem e navegar nos menus, originando seleções acidentais. Não são detalhes menores, influenciam diretamente a experiência.

A densidade de informação é outra faca de dois gumes. Muitos objetos são pequenos e difíceis de identificar na vista isométrica, levando a momentos de procura minuciosa quase ao nível do pixel. O mapa não permite adicionar notas ou marcadores personalizados, obrigando o jogador a memorizar localizações num espaço labiríntico. Juntando o inventário limitado, três espaços por personagem, sendo um frequentemente ocupado por uma lupa, a carga cognitiva pode aproximar-se mais de trabalho do que de entretenimento.

E, ainda assim, é precisamente isso que poderá conquistar alguns jogadores. Há mérito na forma como o jogo respeita a inteligência de quem joga. Não oferece soluções fáceis. Exige síntese, memória e reconhecimento de padrões. Nesse sentido, partilha ADN com Blue Prince, denso, confuso, mas profundamente recompensador para quem insiste.

Clue: Murder by Death

Clue: Murder by Death pode ser visto como uma experiência frustrante ou como um triunfo intelectual. A diferença está na tolerância à fricção.

Nota: 7/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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