Apple TV+: as apostas para 2026
A Apple TV+ entra em 2026 com uma estratégia clara e assumida: novos conteúdos originais todas as semanas, sustentados por uma curadoria que privilegia nomes de prestígio, projetos autorais e uma ambição industrial cada vez mais evidente. A apresentação no Apple TV Press Day confirmou a consolidação da plataforma como um dos polos criativos mais relevantes do streaming, apostando ainda no desporto em direto de modoa a ampliar o alcance global do serviço.

No campo das séries, Terapia Sem Filtros afirma-se como um dos pilares da plataforma. A terceira temporada aprofunda o equilíbrio entre humor e melancolia que tornou a série num fenómeno crítico, agora com Jeff Daniels e Michael J. Fox a juntarem-se a um elenco liderado por Jason Segel e Harrison Ford. A renovação antecipada para uma quarta temporada confirma o seu estatuto de série-âncora da Apple TV+.

Os thrillers e dramas de tensão psicológica ocupam um lugar central no alinhamento de 2026. A Última Coisa Que Ele Me Disse regressa com uma segunda temporada marcada pelo reencontro com o passado e pela aceleração do suspense familiar, enquanto Imperfect Women promete ser uma das séries mais discutidas do ano, reunindo Elisabeth Moss, Kerry Washington e Kate Mara num retrato denso sobre amizade, culpa e traição. Já Registo Criminal, com Cush Jumbo e Peter Capaldi, reforça a vertente política e social do catálogo, mergulhando nos mecanismos de poder e responsabilidade institucional.
A ficção científica e o espetáculo de grande escala continuam a ser apostas estratégicas. For All Mankind, agora na quinta temporada, expande o seu universo com Marte transformado numa colónia sob tensão, refletindo conflitos muito terrenos através da lente da exploração espacial. Em paralelo, Monarch: Legado de Monstros regressa com uma narrativa ainda mais ambiciosa, ligando conspirações globais ao imaginário mitológico do universo Godzilla, com Skull Island como palco central.

No território do drama contemporâneo com assinatura forte, Margo’s Got Money Troubles destaca-se como um retrato sensível e mordaz da precariedade económica e da maternidade, liderado por Elle Fanning e Michelle Pfeiffer, enquanto Amigos e Vizinhos reforça o seu comentário ácido sobre privilégio e decadência moral nos subúrbios americanos, com Jon Hamm e a entrada de James Marsden. Já Widow’s Bay e Maximum Pleasure Guaranteed mostram a aposta da Apple TV+ em misturar géneros, cruzando horror, comédia e sátira social.

Um dos projetos mais aguardados do ano é Cape Fear, nova adaptação televisiva do clássico thriller, agora reinterpretado para o presente com um elenco de luxo e uma forte herança cinematográfica. Javier Bardem assume o papel de Max Cady, numa versão que promete ser tão perturbadora quanto contemporânea, ao lado de Amy Adams e Patrick Wilson. Criada por Nick Antosca e produzida por Martin Scorsese e Steven Spielberg, a série parte do imaginário do filme de 1991 para explorar temas de culpa, justiça e vingança com uma intensidade psicológica renovada, posicionando-se como uma das apostas mais sombrias e prestigiadas da Apple TV+ em 2026.

Entre os regressos mais aguardados está Ted Lasso, que na quarta temporada arrisca uma mudança estrutural ao colocar Ted à frente de uma equipa feminina da segunda divisão. A série-símbolo da plataforma mantém o seu ADN otimista, mas entra numa nova fase narrativa, refletindo maturidade e vontade de reinvenção.

No cinema, a Apple TV+ apresenta um alinhamento que cruza autor, estrelas e entretenimento popular. Eternity – Para Sempre, em parceria com a A24, aposta numa comédia romântica existencial protagonizada por Elizabeth Olsen e Miles Teller.
Outcome é uma comédia negra realizada por Jonah Hill e protagonizada por Keanu Reeves e Cameron Diaz, que se afirma como uma sátira mordaz à cultura da celebridade, da exposição permanente e do cancelamento nas redes sociais. Reeves interpreta um ator idolatrado cuja imagem pública começa a ruir após uma tentativa de extorsão, obrigando-o a confrontar o abismo entre a persona mediática e a identidade real. Com Hill também em cena, num papel deliberadamente desconfortável, o filme assume-se como um comentário geracional sobre validação, vergonha pública e a tirania da opinião digital, posicionando-se entre o cinema de autor e a comédia ácida contemporânea.

Em contraste, mas sem abdicar de escala, a Apple aposta declaradamente no grande espetáculo com Mayday, uma comédia de espionagem ambientada na Guerra Fria que junta Ryan Reynolds e Kenneth Branagh numa dupla improvável. Realizado pela equipa criativa de Noite de Jogo, o filme subverte os códigos do thriller clássico com humor físico, ritmo acelerado e um jogo constante entre ironia e ação. Já Matchbox The Movie, inspirado nos icónicos brinquedos da Mattel, assume plenamente a lógica do blockbuster global: um filme de ação de alto impacto, realizado por Sam Hargrave (Tyler Rake: Operação de Resgate), com John Cena como protagonista, concebido para um público transversal e com clara vocação internacional.

Paralelamente, o catálogo cinematográfico de 2026 reserva espaço para narrativas de cariz mais familiar e formativo. Way of the Warrior Kid, protagonizado por Chris Pratt, adapta o bestseller de Jocko Willink numa história de crescimento pessoal, disciplina e superação do bullying, cruzando valores de resiliência com uma abordagem emocional acessível a várias gerações.
Já The Dink surge como uma das apostas mais inesperadas do ano: uma comédia desportiva centrada no conflito entre o ténis tradicional e a explosão do pickleball, transformando uma disputa aparentemente trivial num confronto identitário sobre fracasso, legado e masculinidade. Liderado por Jake Johnson e Ed Harris, o filme utiliza o desporto como metáfora para crises pessoais e mudanças culturais, equilibrando humor físico com uma melancolia discreta, num registo que confirma a atenção da Apple TV+ a projetos de médio orçamento com forte personalidade.

No conjunto, 2026 perfila-se como um ano-chave para a Apple TV+, onde a plataforma procura equilibrar prestígio e popularidade. Entre séries de autor, regressos consolidados, cinema de ambição global e uma presença crescente no desporto, a mensagem é clara: menos volume, mais impacto — e uma aposta contínua em histórias com identidade.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

