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Jogos: MIO: Memories in Orbit – Análise

MIO: Memories in Orbit é um Metroidvania marcante que alia uma requintada estética de ficção científica em aguarela a uma movimentação de precisão cirúrgica, exigindo perícia e paciência.

MIO: Memories in Orbi

Jogo: MIO: Memories in Orbit
Disponível para: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Douze Dixièmes
Editora: Focus Entertainment

MIO: Memories in Orbi

MIO: Memories in Orbit não facilita a entrada. Atira o jogador para o seu mundo e espera que este aprenda rapidamente a linguagem do movimento, do ritmo e da sobrevivência. É um jogo que acredita que a sensação de controlo importa mais do que o conforto e, desde o primeiro salto, em grande medida, comprova essa tese.

Visualmente, MIO é deslumbrante. Verdadeiramente de cair o queixo. A Vessel, uma colossal nave-arca que apodrece lentamente por dentro, revela-se como uma sucessão de biomas que parecem simultaneamente pintados à mão e hostis. Selvas roxas pulsam com perigo, cidades geladas brilham em tons de azul frio e laboratórios abandonados têm uma aura inquietantemente sagrada.

MIO: Memories in Orbi

É na movimentação que MIO realmente brilha. Os controlos são sedosos e precisos ao ponto de se tornarem instintivos. Os saltos duplos recarregam a meio do ar, as escaladas pelas paredes são elásticas e o gancho de cabelo em forma de tentáculo funciona tanto como ferramenta de deslocação como opção de combate. Existe aqui uma obsessão aérea, um incentivo constante para permanecer no ar, encadear manobras, dançar em vez de caminhar. A mecânica de esquiva merece destaque especial, quando executada no momento certo, permite ricochetear em projéteis e ganhar impulso vertical. É parte Sekiro, parte feitiçaria de plataformas, e sabe incrivelmente bem quando dominada.

O combate, contudo, é onde surgem as primeiras fissuras. MIO empunha um sabre, e esse sabre nunca evolui verdadeiramente. O jogador fica preso ao mesmo combo de três golpes do início ao fim, o que soa estranhamente conservador num género definido pela escalada constante. Existe personalização, mas baseada em espaços, os chamados memory slots obrigam a compromissos entre sobrevivência, ataque e utilidade. Interessante em teoria, restritivo na prática. A isto junta-se o sistema de Nacre, em que se perdem recursos não cristalizados após a morte, e as primeiras horas podem tornar-se punitivas ao ponto de gerar fricção.

MIO: Memories in Orbi

As batalhas contra bosses são conceptualmente interessantes, mas espacialmente simples. Enfrentam-se toupeiras com focinhos perfuradores e bonecas mecânicas assassinas, quase sempre dentro de arenas quadradas que carecem de espectáculo. A vitória depende menos do dano bruto e mais do domínio da tecnologia de movimento, da exploração de breves aberturas e da capacidade de não entrar em pânico. O jogo é brutalmente honesto neste aspecto, se falhar, provavelmente a culpa é sua. Ainda assim, assistências de acessibilidade bem pensadas, como o enfraquecimento progressivo dos bosses ou um escudo estacionário que se recarrega sozinho, atenuam o impacto sem trair o design.

Narrativamente, MIO é enigmático, mas emocionalmente distante. O jogador assume o papel de um robô sem memórias numa nave outrora governada por divindades de IA chamadas as Vozes, A Espinha, A Mão, O Olho. A premissa intriga, o lore é denso, mas grande parte está enterrada em tomos opcionais e recantos de difícil acesso. Algumas revelações não têm impacto, carecendo de urgência ou recompensa. O final secreto, o chamado “final verdadeiro”, sugere um significado mais profundo, mas exige muito de jogadores que já chegam exaustos.

MIO: Memories in Orbi

Resta concluir que, MIO: Memories in Orbit é praticamente só substância, com poucos elementos supérfluos. Sabe quando parar e não se prolonga sem necessidade. Ao mesmo tempo, não leva o jogador pela mão, não faz evoluir o combate de forma significativa, nem procura uma verdadeira catarse emocional.

Nota: 8/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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