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Jogos: Wizard of Legend 2 – Análise

Wizard of Legend 2 recupera a magia com combates elementais frenéticosce co-op caótico.

Wizard of Legend 2

Jogo: Wizard of Legend 2
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox Series
Plataforma testada:  Nintendo Switch
Editora: Humble Games

Wizard of Legend 2

Já passou algum tempo desde que o primeiro Wizard of Legend enfeitiçou os jogadores com o seu caos pixel-perfeito. Agora, a muito aguardada sequela troca os sprites 2D pelo brilho do 3D. No fundo, Wizard of Legend 2 continua a girar em torno do ritmo, decisões rápidas, esquivas ainda mais rápidas e saber exatamente quando atirar bolas de fogo a qualquer monstruosidade que se atravesse no teu caminho. A mudança para 3D traz imediatamente uma vibração à Hades, tanto pela perspetiva isométrica como pela arte expressiva que dá impacto a cada golpe. Cada ataque arcano sente-se tangível, como se a Dead Mage tivesse querido que cada animação transmitisse, em simultâneo, poder e peso.

Vais abrir caminho por masmorras geradas proceduralmente usando um conjunto versátil de Arcana (feitiços), construindo o teu equipamento a partir de mais de 75 feitiços base, com inúmeras modificações e variantes. É nas combinações que a diversão realmente ganha vida. Explosões de terra podem ser combinadas com ondas de relâmpagos, ou podes congelar os inimigos para depois os pulverizares com pontapés de vento segundos depois. É um sistema que pede experimentação, e recompensa as cadeias inteligentes com espetaculares tempestades de partículas.

O combate é rápido, mas ligeiramente mais lento e deliberado do que no original. Os ataques têm mais antecipação, exigindo consciência da situação em vez de agressividade cega. Os tempos de recarga são justos e suficientemente apertados para manter a ação fluida, e a dificuldade ajustável através de Nazradin dá algum espaço para respirar quando as coisas aquecem demais.

Wizard of Legend 2

Um grande salto visual define Wizard of Legend 2, abandonando a arte pixel nostálgica do original em favor de ambientes 3D elegantes. O resultado é impressionante na Switch, efeitos de partículas limpos, jogos de luz exuberantes e retratos de personagens que realmente se destacam. No entanto, esta mudança vem com um custo a nível de personalidade. É bonito, sem dúvida, mas por vezes aproxima-se demasiado de uma imitação de Hades, até nos detalhes da interface e na estética pictórica.

Em termos de desempenho, a versão Switch aguenta-se muito bem. Após meses de otimização, as taxas de fotogramas são estáveis e os tempos de carregamento aceitáveis. Ainda surgem pequenos soluços aqui e ali, mas os dias de caos cheios de crashes ficaram, felizmente, para trás.

É aqui que as coisas se complicam. No papel, o co-op online para quatro jogadores é um sonho, equipas a combinar feitiços e a conjurar tempestades que enchem o ecrã. Na prática, a infraestrutura do sistema mina esse potencial. Não há matchmaking nem salas públicas, as sessões são apenas por convite. Também não existe cross-play, o que deixa amigos noutras plataformas de fora.

Wizard of Legend 2

Pior ainda, o sistema de loot parece saído diretamente de 1998, recompensas partilhadas que desaparecem no momento em que alguém as apanha. Se o teu parceiro agarrar aquela Relíquia rara que estavas a cobiçar, azar, desapareceu. As lojas seguem a mesma lógica, por vezes deixando membros da equipa mais fracos para trás. Para um jogo construído à base de sinergia, é uma decisão de design desconcertante que prejudica a rejogabilidade.

A nível narrativo, Wizard of Legend 2 não ambiciona muito mais do que dar contexto. És um candidato às lendárias provas de feiticeiros, ponto final. A dobragem é competente, os retratos das personagens são deslumbrantes, mas não há aqui uma narrativa profunda nem ganchos emocionais como em Hades. A maioria dos NPCs existe apenas para vender coisas ou ajustar o teu equipamento, funcionais, mas facilmente esquecíveis. É estilo acima de alma.

Wizard of Legend 2

Resta concluir que, Wizard of Legend 2 refina as suas mecânicas. Ainda assim, por baixo do combate vistoso e do caos elemental, esconde-se uma sequela que continua à procura da sua própria identidade. Os sistemas de co-op desajeitados e uma narrativa demasiado superficial impedem-no de alcançar verdadeira magia.

Nota: 5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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