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Cinema: Crítica – Bugonia

Emma Stone e Jesse Plemons protagonizam Bugonia, o novo filme realizado por Yorgos Lanthimos, que nos leva numa louca aventura pela possibilidade de vida alienígena na Terra.

Yorgos Lanthimos tem estado a estrear filmes a um ritmo frenético, com praticamente um filme por ano, entre o tão celebrado Pobres Criaturas, a antologia Histórias de Bondade, e agora com Bugonia, um remake inspirado no filme sul-coreano Save the Green Planet!, onde vemos o cineasta grego a trabalhar novamente com a sua musa Emma Stone e Jesse Plemons.

Quando Teddy (Plemons) e Don (Aidan Delbis), dois conspiracionistas raptam Michelle Fuller (Stone), a CEO de uma farmacêutica gigante, ao acreditar que esta é uma alienígena que veio para destruir o planeta Terra, os dois rapazes vêm-se numa situação complicada quando se apercebem que talvez a sua conspiração não tenha tanto fundamento quanto isso, desafiando as suas próprias crenças.

Claramente que Lanthimos está numa fase contínua de explorar múltiplos géneros e ideias, garantindo que nenhum dos seus filmes seja igual ou minimamente conectado ao anterior, seguindo o coração e a alma na criatividade cinematográfica. É uma missão muito admirável, sobretudo nos dias que correm, em Hollywood.

Claro que poderia ser debatido o facto deste filme ser um remake americano – e muito já se falou sobre os americanos refazerem filmes estrangeiros – mas há momentos em que poderá fazer sentido, sobretudo com um cineasta que não tem demonstrado pretensão e uma verdadeira paixão pelo cinema e criar algo na sétima arte.

Este é de facto uma história já por si caricata, ao qual se junta o argumentista Will Tracy, conhecido por escrito O Menu e ter sido o editor-chefe do site popular de sátira, The Onion; o que faz perfeito sentido quando olhamos para os vários eventos que o filme nos mostra. É de igual destemor o espelhar da sociedade norte-americana e a forma real que as teorias da conspiração ganham quando impulsionadas pelos idiotas certos, quando impulsionados pelo barulho da internet. A verdade é que durante todo o curso do filme, as nossas suspeitas e crenças são postas à prova, em decifrar se realmente Teddy e Don têm razão, ou se é tudo fruto do imaginário deles.

Stone abraça novamente o papel de musa de Lanthimos, num papel tanto quanto diferente dos demais que tem protagonizado nos últimos anos, com a sinergia habitual, onde se deixa levar pela loucura em função de fazer um filme melhor. Nem que isso inclua rapar o cabelo, tal como o fez para o seu papel. Por outro lado, Plemons também parece estar a abraçar a multitude de personagens doidas, remanescente do seu papel em Guerra Civil de Alex Garland. Em conjunto, a dupla é imensurável, sobretudo nos seus diálogos de confronto.

Assim, Bugonia é um filme que se deixa levar pela sua própria loucura inerente e muito bem vinda, com Lanthimos a simplesmente seguir o que se sente bem em fazer, divertindo-se pelo meio, certamente com um sorriso na cara. Há quem possa criticar o declínio de intenção e intensidade – com os mais puristas a olharem para O Sacrifício do Cervo Sagrado como o exemplo primário – mas é difícil não apreciar estes momentos na carreira de um cineasta que definiu parte do cinema contemporâneo.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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